
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Completamente desengonçado e sujo de barro, o João ressurgiu das cinzas… ou seria do barro?
Afinal o que havia acontecido com ele que ficou desaparecido por tanto tempo?
[João] – ah velho, eu fui mijar perto de um rio ali em baixo, e acho que cai, fiquei com preguiça de levantar e fiquei um tempo deitado… assim, é isso que eu acho…
[Jow] – Nossa João! Só você mesmo!
Não entrei em muitos detalhes pois estava doido para voltar pra casa e contar pro pessoal que eu realmente tinha ganhado mais dinheiro!
Quando chegamos todos estavam na cozinha.
[Jow] – Eu falei que ia ganhar dinheiro!!!
E contei a história dos gringos…
O pessoal ficou meio sem entender e sem acreditar.
Mas graças a Deus a Babs tava comigo e confirmou tudo que eu falei!
Eu ainda estava empolgado.
Então falei:
“Vou ganhar mais dinheiro!!!”
Mas para isso precisaria continuar usando o chapéu de cafetão.
Quando falei isso, o pessoal me elegeu para ir comprar pão para podermos comer com moela que estava sendo feita.
Lógico que eu não iria perder a oportunidade de dar mais uma volta pelas ruas lotadas de Ouro Preto.
Desta vez a Babs não quis ir comigo.
Sai por ai, sem saber onde ficava a padaria, tentei me informar e fiquei sabendo que havia uma perto de uma fonte que ficava há alguns quarteirões de distancia.
Fui sem problemas, cheguei comprei uns 15 pães com meus lucros de carnaval, e na volta pra casa vi uma cena extremamente desagradável.
Dois caras, que deviam ter uns 19 anos, vestidos com o abadas azuis do mesmo bloco que eu havia comprado pra gringa. Os dois espatifados no chão no meio rua.
Já estive mal, mas nunca havia ficado jogado assim (não que eu me lembre), então fui oferecer ajuda.
Os dois pareciam mortos então cheguei perto e falei
[Jow] – Velho… esta tudo bem com vocês?
[Bêbado 1] – ….
[Bêbado 2] – Sai fora veio, eu to cuidando do meu amigo aqui.
Não ele não estava, na verdade ele estava escornado em cima do outro.
[Jow] – Bêbado 2, você esta bem, mas parece que seu amigo não está muito bom.
O cara estava deitado no chão com os olhos virados e eu pensando que ele tinha até morrido.
Cutuquei ele mais algumas vezes e ele não me respondeu.
Então ajudei o amigo dele a levantar e falei
[Jow] – olha só cara, você não esta muito bem também, aceita um pão?
[Bêbado 2] – Quero sim.
Dei um pão puro pra ele e ele começou a destroçar o pão de tanta fome.
Enquanto ele fazia isso fui tentar ajudar o outro bêbado.
Na verdade não sabia por onde começar então saquei meu celular e liguei para o 192, SAMU.
Eu sabia que eles não iam poder se deslocar até lá para ajudá-lo mas pelo menos poderiam me dar as instruções.
[Jow] – Boa tarde, estou com um problema.
[Atendente do SAMU] – Boa tarde, qual seu problema?
[Jow] – Estou passando aqui na rua…. não sei o nome da rua, mas fica num morro… perto de uma igreja… e de uma fonte… e tem um cara parece que morto.
[Atendente do SAMU] – Hum… um morro, uma igreja e uma fonte… é realmente acho que você esta em Ouro Preto. Mas este cara está mal de que?
[Jow] – Parece que ele bebeu demais.
[Atendente do SAMU] – Bebeu demais… nós não podemos ajudar pois existem muitos chamados deste aqui no carnaval.
[Jow] – Sim eu sei, mas preciso de ajuda pra ajudá-lo.
[Atendente do SAMU] – Pois não, ele está consciente?
[Jow] – Ele esta com os olhos abertos.
[Atendente do SAMU] – mas ele está respondendo?
[Jow] – Um minuto.
{Jow para o Bêbado 1}
Quando olhei para o cara, o amigo bêbado dele estava socando pão na boca dele! Pão SECO!! Pra um cara que estava inconsciente!
[JOW] – VELHO O QUE VOCE TA FAZENDO? VOCE VAI MATAR O CARA!
[BEBADO 2] – EU TO CUIDANDO DO MEU AMIGO!
[JOW] – CUIDANDO O CARALHO VOCE VAI É MATAR O CARA ENGASGADO! SAI FORA DAQUI! (O CARA ERA GRANDE. E EU NÃO SEI DE ONDE SURGIU TANTA CORAGEM)
[BEBADO 2] – AH VELHO, EU SÓ QUERIA AJUDAR… ME DESCULPA
[JOW] – AJUDA QUIETO, SENTA ALI EU TO CONVERSANDO COM O SAMU, SE PRECISAR DA SUA AJUDA EU TE PEÇO OK?
[BEBADO 2] – OK.
{JOW para bêbado 1}
[Jow] – Velho, você ta bem?
[Bêbado 1] – ….
[Jow] – Velho fala comigo!!!
[Bêbado 1] – ….
[Jow] – EU comi a sua mãe, aquela vadia!
[Bêbado 1] – ….
Então dei uns tapas na cara dele… e nada!
{Jow para atendente do SAMU}
[Jow] – Moça, ele não esta respondendo.
[Atendente do SAMU] – ok, aonde exatamente ele esta?
[Jow] – Deitado na rua.
[Atendente do SAMU] – então primeiro de tudo, coloca ele no passeio.
{Jow para bêbado 2}
[Jow] – Ajuda aqui velho, vamos colocar ele no passeio.
Então colocamos o cara sentado no passeio.
{Jow para atendente do SAMU}
[Jow] – Pronto, e agora?
[Atendente do SAMU] – Ele ainda não esta respondendo né?
[Jow] – Não.
[Atendente do SAMU] – Então faça ele te responder. Quando ele estiver fazendo isso, dê açúcar para ele. Não dê água, ele pode engasgar.
[Jow] – Ok, mas como eu vou fazer ele responder?
[Atendente do SAMU] – Balança ele! Chacoalha o cara, bate nele.
[Jow] – Com prazer! Muito obrigado e feliz fim de carnaval pra você,
[Atendente do SAMU] – Disponha sempre. E pra você também.
{Jow para bêbado 2}
[Jow] – Olha só velho, vá arrumar açúcar para seu amigo! Enquanto isso eu acordo ele.
O cara sentado escorado na parede toda mijada, e eu lá na sua frente, gritando com ele, chacoalhando e batendo nele… quando de repente.
[Bêbado 1] – Ai… que isso?
[Jow] – AEEEEEEE!! Você acordou!!!
Nisso o amigo bêbado 2 chegou com um copo descartável cheio de açúcar.
Demos o açúcar pra ele, ele começou a se recompor. Ofereci um pão pra ele, que foi muito bem vindo. Antes que perguntasse pela segunda vez quem eu era eu resolvi ir embora.
(principalmente se ele lembrasse de todos os tapas e xingamentos a ele e a sua mãe)
Estava descendo a rua com o chapéu de cafetão, e um saco de pães com 13 pães e o ego nas alturas por estar me divertindo tanto em um carnaval!
Voltei para casa, expliquei por que havia demorado tanto para voltar com os pães, afinal, a esta altura todos estavam comendo moela direto no prato… Pão? Para que?
Jantamos, vaguei por ouro preto à noite. Sozinho acho que perdi de todo mundo ou não sei.
Mas fui procurar a tal de Azorra.
Um indivíduo de bom coração me vendeu o ingresso dele por 2 reais, e o papelzinho era tão fuleiro, mas tão fuleiro que eu pensei até que tinha tomado o cano.
Mas de qualquer forma, mesmo com o ingresso na mão eu ainda não conseguia encontrar o tal lugar chamado Azorra.
Até perguntar a uma outra pessoa aletatória:
[Jow] – Ei você, sabe aonde fica a república A zorra?
[Mr. Random] – Olha, não conheço nenhuma república chamada A zorra aqui em Ouro Preto não.
[Jow] – Ai Meu Deus! Sério?
[Mr. Random] – Sim, mas olha só, eu ACHO que está rolando o show de uma banda chamada AZORRA lá no espaço Folia!
[Jow] – Humm… Então é isso… Obrigado…
Mas que diabos de banda era erra? Por que eu nunca tinha ouvido falar dela?
Sozinho numa cidade diferente tentando encontrar uma banda que eu desconhecia a existencia… Ah… tudo bem, pelo menos os pneus estavam inteiros!
Entrei no espaço folia. Já estava escuro. O espaço folia era como se fosse um campo de futebol, cheio de barro (ao invés de grama) e LOTADO de pessoas.
Dei duas (ou mais, na verdade não me lembro quanto tempo fiquei lá dentro) voltas dentro do lugar. Nenhum, absolutamente nenhum rosto conhecido, decidi então voltar para a república que estávamos no dia anterior onde só tocava Raul Seixas.
Desta vez não agüentei ficar lá até muito tarde, fui pra casa cedo e tinha bastante gente lá. Conheci a Isabella a outra dona da casa, ela trabalhava numa joalheria e precisava trabalhar no outro dia cedo por isto estava em casa.
Ela me contou que voltar de ônibus de Ouro preto na quarta feira de cinzas era tipo uma missão impossível.
E realmente seria, afinal nada no meu carnaval era fácil.
Principalmente por que eu não tinha mais o meu poderoso chapéu de cafetão… Que na verdade nunca tinha sido meu, era só emprestado.
Na Quarta Feira de cinzas pela manha, a primeira coisa que eu e o João fomos fazer foi verificar se encontrávamos alguma passagem.
E adivinhem?
NADA!
Eu tinha que estar em casa na quarta feira de cinzas pois iria começar no meu novo emprego na Quinta-Feira de Cinzas…
Fomos obrigados a apelar mais uma vez para o transporte ilegal,
O trajeto de volta foi tranqüilo, acho que até dormi no Fiat Uno com mais 4 outras pessoas cheias de histórias.
Na volta pra casa não deu pra parar na estátua do Cristo Redentor de pedra sabão para dar um abraço e agradecer por ter sobrevivido a mais meio carnaval, mas dei tchau e disse até o ano que vem…
Mas infelizmente eu não poderia ir à Ouro Preto no Carnaval de 2009… mas isso como você já deve saber, é uma outra história…
Quem sabe no fim não dê um livro?