Thom Joubim

14/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2007 – Parte 4

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:00

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Ouro Preto – Quarta Feira – 5:00

Acordei a esta hora, o sol nem tinha nascido ainda. Minha blusa está completamente encharcada e eu não consigo encontrar os meus amigos. Afinal onde estava o João? Onde estava a Rúbia?

Ouro Preto – Terça Feira – 2:00

Chegamos a Ouro Preto por volta das 2 da manha da terça feira.

De lá paramos um pouco na praça central para tomar umas garrafas de vinho e então depois poderíamos seguir para a república dos amigos do João. Comprei três garrafas de vinho por R$10,00, ou seja, metade do dinheiro que eu havia levado já foi gasto nos primeiros 15 minutos na cidade.

Sei que quando chegamos à república eu já estava bêbado o suficiente para entender como uma boa idéia a possibilidade de dormir na Boate da Casa (lugar que ficou conhecido como o nosso quarto)

Ouro Preto – Terça Feira – 09:00

No amanhecer da terça feira eu já estava recuperado e só conseguia pensar em ir logo consertar os pneus antes de poder curtir o maravilhoso carnaval de Ouro Preto.

Acordamos por volta das 9 da manha.

[Jow] – Vamos arrumar os pneus João?

[João] – Bora!

[Rúbia] – Eu não vou ficar aqui sozinha!

Então fizemos o caminho reverso de 5 km que durante o dia com sol na cuca parecia ser muito maior. Além disso, desta vez estávamos subindo os morros ao invés de descer!

Como pode ser né? Uma data comemorativa juntar tanta gente doida…

Passamos pela porta da rodoviária, depois por uma quadra que estava Absolutamente cheia de latas de cerveja (eu fiquei assustado, acho que nunca vi tanta cerveja na minha vida) e uma pequena descida depois chegamos ao posto onde o Uno Mille Azul metálico estava parado.

Já era de manha e provavelmente o borracheiro do posto estaria aberto…

Ainda não, por isso esperamos um pouco e então pedimos informação a um frentista que nos informou com muito prazer que o borracheiro só Iria abrir depois do carnaval.

MARAVILHOSO!!!

Onde ficava o borracheiro mais próximo?

No centro da cidade!

FUUUUUUUUUUUU….

O que poderíamos fazer?

Mais uma vez tive uma brilhante idéia! (em momentos de aperto eu fico tão responsável né?)

Precisaríamos de uma carona até o borracheiro!

Olhei para o João com seus cabelos revoltos e sua barba de terrorista e pensei “Eu teria medo e não daria carona pra um cara desses!” olhei para a Rúbia toda de preto e pensei “Eu teria medo e não daria carona pra uma moça dessas” isso faz com que eu seja o único “Caronável” do grupo.

Não deu outra, peguei os dois pneus, empilhei sentei em cima e fiquei pedindo carona!

Perdi as contas dos carros que passaram direto, dos que passaram direto buzinando e gritando “Se FUDEU” e dos que passavam buzinando e falando “se meu carro estivesse vazio eu o levaria”.

Até que num momento que estava prestes a perder as esperanças, surge uma Fiat Strada Prata.

Dois caras no banco da frente e um sentado na carroceria.

[Motorista] – Ta precisando de uma carona pro borracheiro?

[Jow
pensando] – Não… Pro açougue!

[Jow] – To sim velho, você pode me ajudar?

[Motorista] – Sobe ai velho!

[Jow] – VALEU!!!

Coloquei os dois pneus na carroceria sentei e vi que ela estava cheia de frutas!

Peguei meu telefone e liguei para o João para contar que tinha conseguido uma carona!

[Jow] – Alo João? É o Junnel velho! Consegui!! Consegui a carona! Os caras vão me levar La na borracharia…

(neste momento senti alguém cutucando o meu ombro)

[Jow] – É! Os caras falaram que vão me dar uma carona até a borracharia que fica no centro da cidade! Isso!

(reparei então que o carro tinha diminuído a velocidade quando escutei alguém falando comigo)

[???] – VOCÊ vai descer daí na boa?

(quando olhei vi que era um policial)

[Policial] – Ou eu vou ter que tirar você ai na porrada?

[Jow] – João depois eu te ligo. Não. Não será necessária violência seu guarda, já estou descendo.

Estávamos na porta da rodoviária, e a policia militar estava fazendo uma mini blitz para coibir tal tipo de contravenção.

Desci do carro e pensei

Fudeu! Agora os caras vão acelerar e levar o pneu embora”

Só que quando eu olhei pro lado, vi que o cara que estava comigo na carroceria também tinha sido expulso, e ele olhou pra mim e fez sinal para continuar andando.

Passamos uns 100 metros e nós dois voltamos para dentro da carroceria.

Ufa! Mais um susto que passou.

Então de repente (uau tudo acontece de repente) o cara que estava no banco de passageiros me chama.

[Passageiro] – Velho seguinte, a gente não pode te levar direto para a borracharia, por que temos meia rota para fazer antes de passar lá na borracharia. Por isso, você pode descer aqui e conseguir outra carona.

[Jow] – A borracharia esta próxima?

[Passageiro] – Ou até que tá, mas para ir a pé fica um pouco longe. Então é melhor você conseguir outra carona.

[Jow] – E a rota que vocês têm que fazer é muito longa?

[Passageiro] – Ah, nem é tanto assim, são umas 4 pousadas.

[Jow] – Eu vou com vocês. Pode?

[Passageiro] – Uai, sem problemas.

Pronto, tinha conseguido uma carona “vitalícia”

Paramos na primeira pousada, e eu não me senti nada bem, de ficar sentado de boa enquanto os caras todos trabalhando para descarregar as frutas!

Por isso comecei a ajudá-los também! Pegava as caixas e entrava nas pousadas como se fizesse isso há anos!

Foi divertido! E ainda por cima eu havia arrumado uma forma de “pagar” pela minha carona.

Passamos por outras três pousadas antes que eles me deixassem na porta de uma borracharia!

Eu estava com a minha blusa de frio amarrada na cintura e uma camiseta que provavelmente iria me proporcionar uma bela marca de sol!

Despedi-me dos meus novos amigos! Ainda brinquei com um deles (que ao receber uma ligação da noiva, deu end na cara dela) e falei

[Jow] – É cara, você não devia fazer isso com a sua noiva! Ainda mais no carnaval! O que ela vai pensar? Ahaahhah

Cheguei à borracharia e falei com o borracheiro

“por favor, arruma ai”.

Ele pegou os dois pneus e enquanto isso eu fiquei sentado do lado de fora da borracharia que era muito pequena e apertada.

Ao terminar de arrumar, resolvi perguntar:

[Jow] – E ai cara? Quanto ficou?

[Borracheiro] – R$20,00.

[Jow] – Como é?

[Borracheiro] – R$20,00.

[Jow] – Houston, we have a problem.

[Borracheiro] – AHM?

[Jow] – Eu tenho um problema, tudo que eu tenho juntando todos os meus bolsos somam R$10,00.

[Borracheiro] – Nossa assim você me apertou.

[Jow] – Mas é verdade cara… Eu to sem dinheiro, faz assim, pode estragar um dos pneus denovo. Eu só tenho dinheiro pra pagar por um.

[Borracheiro] – Não que isso! Faz assim, fica de brinde!

[Jow] – Nossa! MUITO OBRIGADO CARA VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO TANTO QUE TA ME AJUDANDO!!!

[Borracheiro] – Que isso, sem problemas.

[Jow] – Você pode me dar mais uma informação?

[Borracheiro] – Claro

[Jow] – Como eu faço pra voltar pra entrada da cidade?

[Borracheiro] – Ah, o Ônibus passa ali. Você pega ele e vai descer lá perto.

[Jow saindo da
borracharia] – Muito obrigado

[Borracheiro] – Nada!

Saí e fiquei no ponto que era bem perto da porta da borracharia…

Quando atinei para um fato. Eu não tinha mais dinheiro!

Andei de um lado para o outro… Pensando em o que fazer. Eu com os dois pneus consertados na mão, mas sem dinheiro para pegar o ônibus…

Então o cara da borracharia saiu de lá e falou

[Borracheiro] – Algum problema?

[Jow] – Sim…

[Borracheiro] – Toma aqui o dinheiro pra você pegar o ônibus

E me deu R$2,00

Pronto! Não havia espaço para azar no meu carnaval! E Mais nada ia dar errado!

Agradeci e entrei no ônibus que passou logo em seguida.

Entrei pela porta de trás e lá fiquei sentado.

Conheci as pessoas que estavam indo embora da cidade afinal já era terça de carnaval.

Carnaval que para mim estava apenas começando.

Estava num papo muito bom (inclusive com a trocadora do ônibus) quando olhei para o lado esquerdo e reparei que eu conhecia aquele lugar.

Já havia feito aquele trajeto.

Então descobri que o ônibus estava exatamente entre a quadra cheia de cerveja indo em direção à rodoviária, o que fazia com que o posto onde o carro estava estacionado já tivesse ficado pra trás!

Entrei em desespero, e dei o sinal correndo!

Desci no próximo ponto que na verdade nem era tão longe dali.

Pronto estava próximo do fim, eu com os dois pneus debaixo dos braços descendo a rua. Quando tive mais uma brilhante idéia!

“Por que eu estou carregando dois pneus num morro que nem é tão íngreme? Vou colocar um desses pneus no chão e ir rolando enquanto levo o outro na mão.”

Comecei a fazer isso, até o momento que o morro ficou mais íngreme e o pneu começou a correr mais que eu. Desci correndo atrás dele, e consegui alcançá-lo antes que uma merda maior fosse feita.

Finalmente cheguei até o posto!

Com um sorriso de vencedor no rosto enquanto João e Rúbia estavam sentados numa sombra.

Parece que ficaram felizes ao me ver.

Joguei os pneus em cima do João e falei: “Pronto! Sua vez!”

Entrei no carro e simplesmente desmaiei no banco de trás.

Eles arrumaram os pneus, entraram no carro e fomos voltando para perto da república.

Enquanto isso eu no banco de trás ia pensando.

É, meu carnaval ta uma loucura só. Só coisas estranhas acontecendo. Eu estou cansado, desanimado e parece que tudo ta dando errado, mas na verdade não está! Estamos conseguindo fazer tudo! Então eu não vou ficar aqui deitado! Afinal eu não sai de Belo Horizonte para vir pra cá ontem, 23:00 para ficar dormindo no banco de trás do carro.”

Após pensar nisso tudo, eu levantei, sentei entre os dois bancos da frente e gritei:

[JOW] – BOM DIA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!

[João] – ahhahahaah você é doido Junnel!

[Rúbia] – Junior.

[Jow] – Oi Rúbia?

[Rúbia] – Cala a boca! A sua felicidade me incomoda!

[Jow] – … (nunca ninguém tinha falado assim comigo) Incomoda?

[Rúbia] – SIM! E MUITO!

[Jow] – Então BOM DIA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

[Rúbia] – GRRRRRRRRR!!!!!

Voltamos para a república e é agora que o carnaval começa a acabar.

Mas isso você só vai saber como aconteceu amanha. :) . Nada pessoal, eu Juro, mas eu realmente preciso fazer com que você queira continuar vindo aqui!

Parte 5

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