Thom Joubim

29/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 6

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:50

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Estávamos voltando para casa, fazendo o mesmo caminho da vinda após ganhar dinheiro, ver o show, conhecer o Frederico, tirar fotos com o trem, enfim, nos divertimos demais! E quando chegamos em casa eu olhei pra Babs, a Babs olhou pra mim e nós nos perguntamos

CADE O JOÃO????

É obvio que eu pensei:

Será que ele foi preso de novo?? Mas infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer agora. Ele era maior, vacinado e sabia o caminho de casa, se em 48 horas ele não aparecesse, eu mandaria a policia atrás dele.

Cheguei em casa radiante! Afinal vi que era possível lucrar algo!

Quando chegamos em casa, eu comecei a conhecer o pessoal, afinal só conhecia a Evelyn, e o Renato e havia conhecido na noite passada a Camila e a Lud, o resto do pessoal permanecia uma incógnita pra mim.

Todos estavam na cozinha, e eu já cheguei esparrando!

[Babs] – Pessoal esse é o Gilberto

[Jow] – Opa Galera!

[Galera] – Opa Gilberto!

[Jow] – Vocês não vão acreditar! Eu acabei de ganhar dinheiro!!! E querem saber! Vou ganhar mais dinheiro querem ver?!

[Galera com cara de ham? Esse cara é doido] – uhum.

Nessa hora tinha na cozinha um cara chamado Mário que estava usando um Chapéu Panamá. Então tive a brilhante idéia!

[Jow] – Ei Mário, me empresta este chapéu de cafetão que você ta usando!

[Mário] – Eu não você ta doido?

[Jow] – Por favor velho! Eu preciso deste chapéu emprestado pra poder ganhar mais dinheiro!

[Mário] – Aff, tudo bem toma aqui!

Pronto munido do meu chapéu de cafetão soltei a celebre frase!

[Jow] – Vou lá na rua vender as mulheres desta casa! Quem quer ser vendida?

… (silencio geral)

[Babs] – Vamos lá jow jow eu vou com você!

Munido de meu belo chapéu de cafetão e a minha garrafa de Catuaba saímos eu e Babs!

Então, antes mesmo de descermos do passeio da casa dela, ela diz:

[Babs]- Olha lá! Me vende para aqueles gringos que estão descendo ali!

Era um grupo de dois casais que eu sinceramente não sabia como ela havia percebido serem gringos por dois motivos

1 – Estavam muito longe

2 – Não pareciam ser gringos. (Aliás, pareciam mas eu não estava enxergando nada)

De qualquer forma não pestanejei para abrir os braços e gritar

HELLO!!! HOW ARE YOU!?!?!

[Gringa] – Oh I’m Fine and you?

[Jow] – Good!!!

Disso, entrosamos rapidamente, eu e Babs, Babs e eu arranhando no inglês novamente!

Descobri que eles haviam vindo de Pittsburg, norte dos EUA, quase no Canadá. Inclusive depois de um tempo fui descobrir que era a terra do meu antigo chefe John Devore, que acabou de tornando um grande amigo (pelo menos assim eu o considero).

A parte comédia desta conversa foi eu oferecendo à mulher um gole da minha catuaba! E ela recusando

[Jow] – Do you want some? (Aceita um pouco?) eu disse bebericando a garrafa

[Gringa] – What is this? (O que é isso?)

[Jow] – Oh.. this is… how can I say? I know! This is WILD WINE… AHHAHAHAAH (humm.. isso é… como dizer? Já sei! Isto é Vinho Selvagem…)

[depois disso eu morri de rir do nome que eu havia dado
para catuaba... Mas que foi bem interessante]

[Gringa] – Humm… thank you, I’ll skip this (Huumm… Obrigado, vou pular esta)

[Jow] – No? Come on it is really good! (Não? Que isso! É muito bom!)

[Gringa] – Appreciate (Agradecida)

[Jow] – Ok…

[Gringa] – But you may help me with something else. (mas voce pode me ajudar com outra coisa)

[Jow] – Really?? What do you want? (sério? O que?)

[Gringa] – I want to buy one of these blue shirts that everyone is using, you know as a souvenir

[Jow] – OH! Easy come with me.

Enquanto isso a Babs estava trocando altas idéias com os outros gringos, eram realmente dois casais mais velhos que haviam ido passar o carnaval em OP, e estavam se divertindo horrores.

Levei a Gringa que queria uma camisa do bloco para a porta de onde estava tendo a movimentação do bloco.

[Jow] – EI CARA! QUANTO TÁ PRA ENTRAR?

[Porteiro do Bloco] – 25 reais pra entrar.

[Jow] – E SE EU QUISER SÓ A CAMISA QUANTO É?

[Porteiro do Bloco] – Não vendemos só a camisa!

[Jow] – DEIXA EU TE EXPLICAR TEM UMA AMIGA MINHA QUE VEIO DOS EUA, E ELA GOSTOU DA CAMISA, TAVA QUERENDO LEVAR UMA DE RECORDAÇÃO, NÃO TEM COMO VENDER SÓ ELA?

[Porteiro do Bloco] – Infelizmente não.

[Jow] – NÃO TEM NINGUEM COM QUEM EU POSSA CONVERSAR PRA TENTAR ARRUMAR?

[Porteiro do Bloco] – Tenta falar com ele ali.

[Outro cara do Bloco] – Pois não?

[Jow] – TEM UMA AMIGA MINHA QUE VEIO DOS EUA, E ELA GOSTOU DA CAMISA, TAVA QUERENDO LEVAR UMA DE RECORDAÇÃO, NÃO TEM COMO VENDER SÓ ELA?

[Outro cara do Bloco] – Ela não quer entrar? Só quer a camisa?

[Jow] – Não, ela só quer levar a camisa pra casa como recordação

[Outro cara do Bloco] – Ah cara é difícil…

[Jow] – Poxa! Pensa só seu bloco vai ficar conhecido internacionalmente, ela vai levar a sua camisa pros Estados Unidos! Você vai deixar passar esta oportunidade

[Outro cara do Bloco] – hummm…

[Jow] – Sem contar que hoje já é terça feira a tarde, amanha acabou carnaval e você vai ficar com as blusas encalhadas ai…

[Outro cada do Bloco] – Ta bom! 10 reais!

[Jow] – Valeu!!

[Jow para a Gringa] – Moça! R$10,00 (confesso que fiquei tentado a falar que era mais)

[Gringa] – OK, e sacou uma nota de R$20,00

Paguei o cara e peguei o troco.

Entreguei a camisa e o troco pra ela.

E ela falou

[Gringa] – Keep the change (Fique com o troco)

[Jow] – Humm, Thank you (OBRIGADO)

Ahhaha pronto! Havia cumprido a minha promessa sem nem ter tentado fazer!

Ganhei mais dinheiro de brinde!

Não precisei vender a minha amiga e todos estavam felizes!

Eu tinha mais dinheiro, a gringa tinha a camisa do bloco e tudo estava certo!

Voltei a seguir o meu caminho conversando com a gringa estávamos descendo um morro quando ela virou pra mim e falou

[Gringa] – Can I have some of your wild wine? (posso beber um pouco do seu vinho selvagem?)

[Jow] – Of Course!! (Claro!)

E ela bebeu um pouco da catuaba!

[Gringa] – huuuum, it is good! And strong! (huumm… é bom! E Forte!)

[Jow] – No it is not strong! You need to drink cachaça and then you will know what a strong drink is. (Não. Não é forte! Você precisa beber cachaça, e ai você vai saber o que é uma bebida forte)

[Gringa] – Do you accept one of my cigarettes? (Você aceita um cigarro?)

[Jow] – No thanks, but Let me see the Pack? (não, obrigado. Mas deixa eu ver o maço?)

[Gringa] – Of course!

Era um maço verde, com um índio desenhado, não me lembro qual era a marca, mas o indiozinho parecia aquele do desenho do pica-pau. Então ela começou a explicar

[Gringa] – These cigarettes were handmade by the Indians of my country (Este cigarro foi feito manualmente pelos índios do meu país). The government stimulates them to produce their own products and have a decent life. (o governo os estimula a produzir seus proprios produtos e a terem uma vida decente)

[Jow] – Oh, Yes, the Indians here Just sells their necklaces and their souls, by taking pictures.(a sim, os indios aqui só vendem colares e suas almas… tirando fotos.) I don’t remember seeing any government stimulation. (nao me lembro de ter visto algum programa de estimulação do governo.)

[Gringa] – Bad. They should have a more dignified way to survive.. Can I have more Wild wine? (Isso é mal, eles deveriam ter uma maneira mais digna de sobrevivência… Posso beber mais um pouco do seu vinho selvagem??)

[Jow] – Concordo, e claro que pode beber.

[Gringa] – Well. This is it Joubert (Bem é isso Joubert) (eu tinha falado meu nome pra ela, mas não me lembro do nome dela.) It was Nice to meet you, Good luck for you (foi um prazer te conhecer, boa sorte pra você)

[Jow] – It was Nice to meet you tôo (foi um prazer te conhecer também) have a end of carnaval (Tenha um bom fim de carnaval)

Quando eu iria imaginar que acabaria sendo representante de gringos para comprar alguma coisa aqui no meio do carnaval! Como sempre eu ia me surpreendendo.

Também nunca imaginei ter uma discussão sobre a vida indígena no Brasil e EUA no meio desta data.

Ficamos eu e Babs deslumbrados por termos conhecidos pessoas estrangeiras tão simpáticas. E enquanto falávamos isso, vimos um individuo subindo a rua. E adivinhe quem era?

João! Ele havia ressurgido das cinzas e estava com a roupa meio suja de barro. Quer saber o que aconteceu com ele?

;) então volte na segunda que eu conto o resto. ;)

Parte 7 – Final

27/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 5

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:16

Ouro Preto – Terça Feira

Eu estava pobre, fudido e mal dormido.

Mas ainda tinha amigos e era isso que importava.

Tinha 20 reais no meu bolso e um cartão de débito. Só a passagem de volta custava R$25,00 logo eu iria precisar usar os fundos para poder voltar pra casa, mas de qualquer forma, ainda tinha que beber, comer e me divertir antes de fazer isto.

Mesmo não tendo ânimo algum para tal.

Então o João descobriu que iria ter um show da banda “Velhas Virgens” no Espaço Folia. E decidiu que era pra lá que nós deveríamos ir.

Abandonamos todos na casa e fomos eu, ele e Babs.

Como já disse acima, eu estava quebrado, fudido e mal pago até o momento que iria mudar todo o meu carnaval.

Chegamos à porta do espaço folia e fomos olhar o preço do ingresso para o show… R$30,00, ou seja, inviável para mim.

Decidimos então comprar umas cervejas e ficar parados na porta do show.

Quando de repente, duas meninas se aproximaram e dirigiram a palavra a mim.

[...] – Oiem, tudo bemm?

[Jow] – Beleza e você?

(Pelo sotaque percebi na hora que ela era carioca)

[Menina carioca] – Também

[Jow] – …

[Menina carioca] – Seguinte, eu e a minha amiga aqui

[eu já sei o que vocês estão pensando, eu pensei o mesmo]

[Jow com os olhos brilhando] – Sim… Você e sua amiga ai…?

[Menina carioca] – Eu e minha amiga aqui estamos querendo…

[Jow com os olhos brilhando] – Sim… Você e sua amiga ai, estão querendo…?

[Menina carioca] – Eu e minha amiga aqui estamos querendo vender os nossos abadas para este show…

[Jow com planos frustrados] – hummm… e quando você ta querendo?

[Menina carioca] – é por que nós mudamos de idéia e não queremos ir a este show, então vamos vender os abadas pra beber.

[Jow com uma lâmpada em cima da cabeça] – Tá uai, mas quanto você quer?

[Menina carioca] – Eles estão vendendo por R$30,00 ali na porta, então se você me der R$20,00 em cada ta bom. O que acha?

[Jow pensando na notinha de R$20,00 que estava no bolso] – R$20,00 ? em cada um?

[Menina carioca] – Sim R$40,00 nos dois.

[Jow maquiavélico] – Você ta ficando doida? Nunca vai conseguir vender assim!

[Menina carioca] – Como assim? O preço ta super justo… quanto você quer pagar nos dois?

[Jow blefando] – Eu pago R$20,00 nos dois.

[Menina carioca] – R$20? Assim não dá. Não rola

[Jow blefando] – Ah, tudo bem, R$25,00

[Menina carioca] – Não sem chances. Obrigado

[Jow Frustrado] – ah, ok…

[Jow blefando] – Boa sorte com as suas vendas, se não conseguir vender, e eu acho que não vai por que o show já vai começar, volta aqui que eu pago R$20,00 neles.

E antes de terminar isso ela já foi embora.

O João e a Babs estavam conversando e viram a movimentação e vieram perguntar o que era. E eu contei da minha negociação frustrada.

Decidimos não dar mais idéia pra isto e continuamos bebendo e conversando, quando de repente a menina carioca volta.

[Menina carioca] – Tudo bem, R$25,00.

[Jow] – João me empresta R$5,00 URGENTE!

Peguei o dinheiro emprestado e paguei a menina que virou as costas e foi embora pensando (furei os olhos desse mineiro)

Mal sabia ela que eu também estava pensando o mesmo, afinal o show ainda ia começar só dentro de uma hora, o que estava acontecendo naquele momento era a passagem de som.

Nesse momento falei com a Babs e com o João

[Jow feliz] – Galera, seguinte! Comprei dois abadas do show!

[Babs] – OI que?

[João] – BOA! TAVA MUITO AFIM DE IR A ESTE SHOW!

[Jow] – Não João, somos três e temos dois abadas, nós vamos vender essa coisa pelo dobro do preço! Assim eu terei dinheiro pra beber e voltar de ônibus pra casa J

[Babs] – Boa Jow jow!

[João] – Hum…

[Jow] – Babs me ajuda com isso vamos voltar um pouco ali na rua e abordar as pessoas para vender isso

E assim fomos, eu segurei o João para ele não atrapalhar nenhuma negociação e deixamos a Babs que é super boa de papo agir sobre alguns dos milhares de foliões que estavam por ali.

Babs achou uma moça e me chamou,

[Babs] – Jow, ela ta querendo pagar 40 nos dois.

[Jow] – R$40 nos dois? Sem chances!

[Outra menina carioca] – Ah, alivia ai chegado (sim, ela falou igual a um mano)

[Jow para Babs] – Mas Babs, nós pagamos R$40,00 em cada um, assim ela ta quebrando as minhas pernas.

[Babs entrando no jogo] – ah, é tenso eu sei, mas a gente vai perder se não for assim, nosso ônibus sai daqui a pouco

[Jow que ônibus?] – mas mesmo assim, prefiro perder do que tomar um prejuízo tão grande. E olhando pra menina carioca, R$60,00 nos dois.

[menina carioca] – Ah, por R$30 cada eu vou ali na porta e compro.

[Ponto para a menina carioca]

[Jow] – ok, vamos fazer assim, eu quero ser feliz, você quer ser feliz. R$50,00 nos dois e temos um acordo.

[menina carioca pensando....] – Ah tá valendo. Toma.

Pronto! Paguei os R$5,00 do João e ainda por cima tinha dobrado o meu dinheiro em menos de 15 minutos :)

Na mesma hora fui comprar uma garrafa de Catuaba!

Ficamos na porta do Espaço Folia curtindo o show do “velhas virgens” de graça.

Neste momento eu estava eufórico sabendo que era possível deixar de ser pobre no carnaval oferecendo serviços (sem ameaças à integridade física ou mental)

Eis que de repente surge no meio da multidão uma mulher passeando com um Beagle. :O eu olhei pra ela do auge de toda a minha euforia e lancei um:

[Jow] – COMO ASSIM, TERÇA FEIRA DE CARNAVAL, A RUA TODA LOTADA E VOCÊ LEVA UM BEAGLE PRA PASSEAR.

[dona do beagle] – uai, o cachorro precisava passear

[Jow] – É… Além disso, eu não tenho nada a ver com isso. Me desculpe. De qualquer forma seu cachorro é muito bonito, eu posso tirar uma foto com ele?

[dona do beagle] – ….? pode

[Jow tirando foto com o beagle] – Ei! Esse cachorro não quer olhar para a câmera!!! Fica atrás dela (babs) e chama ele. Qual é o nome dele?

[Dona do beagle] – Frederico!

[Jow] – Belo nome de cachorro… HHAHHA FREDERICO!! OLHA PRA CAMERA SEU FILHO DUMA CADELA!!

[Dona do Frederico] – Frederico!! Frederico!!

Consegui tirar a foto do beag… digo Frederico e a tendência do carnaval estava só melhorando!

E eu sabia qual seria meu objetivo ali! Ganhar mais dinheiro!

E eu ganhei.

Quer saber como? Leia amanha o outro post ;)

Parte 6

26/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 4

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:59

Parte 1

Parte 2

Parte 3

A Ida pra casa em OP.

Falei com o João, Xandy, Henrique e com o amigo deles, o acontecido.

Para minha sorte todos nós estávamos bêbados demais para entender qualquer coisa como ofensa, e então eles simplesmente se despediram e foram embora todos iam, mas ai como o Xandy estava com dois amigos dele eu falei pro João ficar que a gente arrumava um lugar lá (afinal a babs falou que cabia um, no máximo dois).

Fizemos uma farra na rua ainda, encontramos uma fantasia de um dos blocos (que até parecia essas do carnaval do rio)

Zuamos demais e lá pelas tantas decidimos ir para casa.

A babs Alertou

[Babs] – Jow jow, o povo ta cansado, dormiram a pouco tempo, e tem até gente q vai trabalhar amanha, então por favor, chegando lá não façam muito barulho ta?

[Jow] – Ok.

[João] – Humm?

Chegamos na casa, era uma casa bacaninha, perto de onde estávamos.

Era mais ou menos assim

Uma sala, com um sofá cama e vários colchões espalhados em volta.

Alem disso tinha um quarto que ficava na porta à direita de quem entrava, com duas camas e cinco colchões no chão e um outro quarto que tinha a porta de frente para quem entrava.

À direita deste quarto tinha uma escada para baixo, que eu descobri no outro dia que levava ate à cozinha, banheiro e uma área.

Chegamos pé ante pé, destrancamos a porta de forma a fazer o menor barulho possível, e finalmente entramos.

Graças a Deus, eu teria um lugar pra passar a noite (aquela merda de Ouro Preto é fria demais) eu ainda estava olhando para os colchões pra ver aonde é que eu ia deitar, e antes que pudesse perceber que não havia mais colchões sobrando, vi o João se abaixando.

[João] – Babs, como é o nome dessa menina aqui?

[Babs] – Oi que? A é a Psicilla (na verdade é Priscila, mas ela só chama assim Psilla)!

[João] – Psilla? Olá tudo bem? Acorda! Conversa comigo?

[Psilla] – O que?

[João] – Conversa comigo!

[Jow sem graça e falando baixo] – João, para velho! A menina ta dormindo! Deixa ela quieta!!!

[João] – Que isso Junnel, eu to querendo fazer novas amizades! Psilla acorda! Conversa comigo?

[Jow] – Cala boca velho! Amanha você faz amizades!

[Psilla] – Cala boca cara! Você é muito chato!

[João] – Poxa vida! Eu só tava querendo fazer amizade!!

[Jow] – PFF

[Babs] – O que vocês estão fazendo?

[João] – Eu quero fazer amizade com a Psilla, mas ela não quer conversar comigo!

[Psilla] – Vai se fuder! Eu to dormindo velho!

[Jow] – GRRRRRRRR

[Babs] – GRRRRRRRR

[Psilla] – ZZzzzZzZzzZzzzz

[Babs] – Jow, ta aqui o seu colchão

A Babs falou enquanto jogava o colchão em um pequeno vão entre o sofá e a parede.

Houston tínhamos um problema, um colchão eu e o João.

Sem pestanejar, e sem cogitar nenhuma outra possibildade te ter que explicar pro João que ele teria que dormir no chão, mandei ele deitar no colchão e deitei no vão entre a porta de entrada e um colchão que estava no chão.

Sim, afinal quem estava precisando de ajuda neste carnaval era o João, e não eu. Eu estava feliz, mas com plena consciência de todos os meus atos.

Dormi muito mal neste pequeno espaço e, além disso, tive pesadelos.

Sonhei com a minha ex-namorada estava passando um aperto e no pesadelo ela pedia ajuda pra mim.

Acordei no outro dia de manha, e sem maldade alguma digitei uma mensagem simples pra ela no celular:

“Tive um pesadelo com você, foi muito ruim, está tudo bem com você? Bjs”

Isso foi tudo.

Mas foi o suficiente para que seu namorado a fizesse ligar pra mim pagando pau.

E eu juro que não fiz nada por maldade, mas é por que o pesadelo havia sido muito ruim mesmo (talvez todo o desespero que eu estava sentindo por estar dormindo encolhido no chão tivesse sido responsável pelo pesadelo)

De qualquer forma, a minha terça de carnaval estava começando super bem não é mesmo? Afinal nada melhor do que uma noite mal dormida, com pesadelos após dispensar seus amigos, quase ser expulso da casa onde se estava hospedado por ter se importado com um amigo e tomar esporro por ter se importado com uma pessoa que fez parte da sua história, mas que já não fazia mais.

Fiquei cabisbaixo (uau, esta palavra existe no dicionário do Word) e levantei.

Babs e João, não se conheciam, mas então se juntaram afinal era carnaval e eu não podia ficar triste.

Levantamos lá pelas 10… 11… e a aventura começa agora… Alias, começa no próximo post :)

Parte 5

25/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 3

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:07

Parte 1

Parte 2

Belo Horizonte – Porta da Rodoviária – 0:30

O João havia se tornado um respeitável taxista, e se não fosse pela garrafa de whisky na sua mão ele iria parecer uma pessoa normal apenas com o cabelo grande (tinha tirado a barba de terrorista) estávamos todos mais uma vez felizes por termos conseguido um transporte alternativo para Ouro Preto.

Entrei no Carro até pulando de tanta felicidade afinal as coisas não estavam dando tão erradas quanto pareciam ser.

Esperamos algum tempo até que chegassem mais pessoas e a Doblô ficasse cheia

Demos umas bebericadas na garrafa de whisky

Então o motorista falou:

[Motorista] – Tudo certo pessoal vamos embora! Vocês querem que coloque um filme aqui?

Alguns concordaram, alguns não se manifestaram e então o motorista colocou um DVD

Não lembro o nome exato do filme mas era alguma coisa + explosiva (vou buscar e falo pra vocês qual é mesmo o nome do filme)

Sei que a história era de um ex-combatente que voltava pra casa e sofria altos atentados contra ele e a sua família, e na vontade de sobreviver ele entra em uma perseguição que deixa um rastro de explosões e mortes!

Um filme bem adequado para se assistir em um Fiat Doblo indo em ALTA VELOCIDADE num transporte ILEGAL para Ouro Preto.

Fiquei completamente preso à tela do DVD exatamente por que percebi que o carro estava correndo muito. O João não teve a mesma capacidade e ficou o tempo todo me cutucando

[João] – Pô Junnel Esse carro ta rápido demais!

[Jow] – Xiu! Eu to vendo o filme!

[João] – Mas esse carro não tem estabilidade nenhuma! Ainda mais com esse banco triplo aqui atrás!

[Jow] – Poxa velho! Assiste o filme ali e fica de boa!

[João] – Ah… Ok…

[Jow] – Eu sei que o motorista ta correndo, ele deve conhecer a estrada muito bem para não cair em nenhum buraco e furar o pneu que nem você.

[João] – Realmente. Realmente!

[Jow] – Prefiro ver o filme!

Quando de repente, no meio da viagem!

Não aconteceu nada, chegamos sãos e salvos a Ouro Preto desembarcamos na rodoviária normalmente como se tivéssemos vindo de ônibus :) e finalmente estávamos na cidade do pecado! Las Veg…. Ouro Preto :)

Liguei para a Babs e depois de varias e varias tentativas consegui finalmente entender onde ela estava!

Fomos ao seu encontro ela estava na porta de uma república que só tocava Raul seixas!

Passamos a noite INTEIRA ouvindo musicas que provavelmente nunca haviam sido ouvidas por outras pessoas. Aparentemente eles encontraram um baú do Raulzito só com músicas inéditas.

Máscara de Vaca da Lud :)

Ficamos na porta nos divertido. Neste momento já estava bêbado o suficiente para achar que todos os conhecidos da Babs já eram meus amigos de infância. Brinquei com a Ludmila (roubei uma mascara de vaca que ela usava), idem para a Camila Ayla, ao pegar emprestado, tirar fotos e tudo mais com a fantasia de onça dela.

O problema (sim, se não tivesse problema não seria o meu carnaval) começa agora.

A Babs ao perceber o numero de pessoas que estava comigo, me cutuca e pergunta lá pelas tantas.

[Babs] – Aonde este povo vai ficar?

[Jow] – Olha, tem lugar na casa da Evelyn e lugar na casa da Isabella, então a gente divide e talz.

[Babs] – Oi que?

[Jow] – Simples assim

[Babs] – GILBERTO, A Evelyn e a Isabella moram na mesma casa! Fica a dica!

[Jow] – Oi Que?

[Babs] – AHAHHAHAHAHAHAAH você pensou que fossem duas casas?

[Jow] – FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

[Babs] – A casa ta cheia, cabe você, estourando mais um.

[Jow] – Não brinca com isso não

[Babs] – Sérissimo Jow Jow!

Agora imagina a minha cara de tacho!

Pilhei a galera pra ir, falei que tinha lugar pra ficar e lá pelas tantas, recebo uma noticia dessas.

Mas infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer.

Parte 4

Cara do Jow quando descobriu que nao tinha lugar para todos.

22/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 2

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:14

Parte 1

Parte II – A Rodoviária.

Barreiro – Segunda Feira – 22:45

Saímos do Barreiro, nesta hora éramos Eu, 2T, Isabella, Xandy e Henrique e mais um amigo deles. Mas iríamos para Ouro preto apenas Eu, o Xandy o Henrique e o amigo. Encontraríamos com o João Victor no centro, iríamos para a rodoviária e pegaríamos o ultimo ônibus da segunda feira para Ouro Preto.

Mas é Obvio que você como um leitor perspicaz que é sabe que algo vai dar errado.

Mas sabe também que nada pode dar tão errado a ponto de não dar certo. (uau)

Chegamos ao centro, e neste momento eu liguei para o João.

Centro de Belo Horizonte – Segunda Feira – 23:40

[Jow] – João!? CADE VOCÊ?

[João] – To no ponto de Ônibus!

[Jow] – Caralho! Não vai dar tempo velho! Pega um taxi ai!

[João] – Relaxa Junnel, o ônibus chega ai rapidinho.

[Jow] – Velho não vai dar tempo!

[João] – Relaxa.

[Jow] – OK, pega um taxi!

[João] – Tá bom, vou pegar um taxi

[João pensando] – Não eu não vou pegar um taxi

(eu sei disso por que ele me contou depois. TUDO BEM eu faria o mesmo)

Centro de Belo Horizonte – Segunda Feira – 23:55

O João chegou ao centro, neste momento estávamos na Afonso Pena entre a praça 7 e a praça da Rodoviária. Não tínhamos ido para a rodoviária ainda pois não iríamos comprar a passagem caso fossemos deixar o João para trás.

Centro de Belo Horizonte – Segunda Feira – 23:59

Entramos na rodoviária! Finalmente estávamos ali e iríamos comprar a nossa passa …

Centro de Belo Horizonte – Terça-Feira – 0:00

O Ultimo Ônibus para Ouro Preto Acabou de sair. Disse a atendente.

Fim.

Falei que o carnaval não tinha sido tão excitante quanto o de 2007.

Mas Tudo bem, ainda tínhamos uma garrafa de whisky barato pra beber e Belo Horizonte Inteiro para zuar! Então saímos da rodoviária.

Quem conhece a rodoviária de Belo Horizonte sabe que existe o prédio e logo de frente o estacionamento (100m entre o prédio e a saída da rodoviária, Segundo Google maps) esses 100 metros que eu caminhei extremamente puto. Eu estava tão puto. Mas tão nervoso pela viagem ter terminado antes mesmo de acontecer, e também pelo fato de que não poderia atender o chamado dos Thundercats que sai andando na frente.

Quando pisei no passeio externo da rodoviária, escuto as duas palavras mágicas:

[...] – OURO PRETO!

[Jow Pensando] – Eu queria tanto ir pra lá que estou até ouvindo vozes…

[...] – OURO PRETO!

[Jow] – Eu queria tanto ir pra lá que continuo ouvindo vozes e agora estou falando sozinho.

[...] – OURO PRETO!

[Jow] – Porra! Que consciência insisten…

Quando olho um dos caras que faz transporte Ilegal entre Belo Horizonte e Ouro Preto está lá gritando Ouro Preto! Ouro Preto!

Mal pude acreditar no que meus olhos viam!

Eu havia acabado de conseguir transporte!

[Jow] – E ai cara? Tudo bem?

[Motorista do carro] – Tudo e com você? Vai pra Ouro Preto?

[Jow] – Depende. Quanto tá a passagem?

[Motorista do carro] – O mesmo preço do ônibus cara! Sem grilo!

[Jow] – E tem Quantos Lugares?

[Motorista] – Olha só, eu to uma doblô adaptada então cabe 9 passageiros, já tem um casal lá então temos 7 vagas.

[Jow] – PERFEITO! Espera um pouco.

[Jow Gritando!] – CORRE AI GALERA!! NÓS VAMOS PARA OURO PRETO!!

:) Fim da segunda parte.

Parte 3

21/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 1

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 14:01

Crônicas de Carnaval 2008

Após sobreviver ao Carnaval de 2007, senti que o carnaval de 2008 não poderia chegar aos pés.

Talvez estivesse enganado. Mas de qualquer forma, já era segunda feira de carnaval novamente quando mais uma vez resolvi retornar ao local que havia me proporcionado uma “maravilhosa” experiência no ano anterior.

Estava no Barreiro, para ser mais exato no bairro Milionários, em um churrasco para aqueles que não haviam viajado no carnaval. Estava tudo muito divertido, entretanto, por volta das 18:00 olhei para o céu e vi o olho de thundera me chamando.

Thunder! Thunder Thunder Cats HOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

E de um momento para o outro resolvi que iria passar o restante do meu carnaval em Ouro Preto.

Eu já conhecia a Babs e a Evelyn e essa me ligou chamando para ir para Ouro Preto

[Babs] – Vem!!! Tem lugar pra ficar aqui na casa da Isabella!

Então a Isabella que eu não conhecia pegou o telefone e falou:

[Isabella] – Isso vem aqui pra casa! Tem lugar! Está tudo muito bom!!! Vem!!

Logo depois a Evelyn me ligou falando:

[Evelyn] – Vem!!! Tem Lugar pra ficar na minha casa!

Sendo assim eu tinha 2 casas para ficar em Ouro Preto e mesmo assim me recusei a ir até o momento que ouvi o chamado de Thundera!

Como já contei eu estava num churrasco e então falei!

Barreiro – Segunda Feira – 21:00

[Jow empolgado] – GALERA!! Vamos para Ouro PRETO?

[Galera] – Mas hoje? Já está tarde!

[Jow empolgado] – Vamos! Eu peço o carro emprestado pro meu pai!

[Galera] – Hummm boa!

[Jow] – Ok! Vou ligar pra ele agora

[Jow Filho] – Oi pai benção, tudo bem?

[Jow Pai] – Deus te abençoe meu filho. Tudo bem e com você?

[Jow Filho] – Comigo tudo ótimo!

[Jow Pai] – Pode falar o que precisa?

[Jow Filho] – Pai to querendo ir pra Ouro Preto

[Jow Pai] – Você é Doido!

[Jow Filho] – Ah… Disso eu já sei. Mas eu ainda nem falei ainda o que eu quero!

[Jow Pai] – Ham. Pode falar.

[Jow Filho] – Você me empresta o carro pra eu ir?

[Jow Pai] – Não.

[Jow Filho] – Por quê?

[Jow Pai] – Por que não.

[Jow Filho] – ???

[Jow Pai] – É só isso que você queria?

[Jow Filho] – Não, eu to indo pra Ouro Preto, se você não me emprestar o carro eu vou de ônibus sem problema.

[Jow Pai] – Seu estúpido, não precisa falar assim.

[Jow Filho] – ???

[Jow Pai] – Se você quiser eu te levo lá.

[Jow Filho] – Não precisa, você vai ir e voltar no mesmo dia só pra me levar. Vai gastar gasolina à toa.

[Jow Pai] – Não tem problema, eu vou e fico no carro até você voltar.

[Jow Filho] – Sem chances.

[Jow Pai] – Você que sabe.

[Jow Filho] – Eu vou de ônibus. O ultimo sai de BH meia noite.

[Jow Pai] – OK. Boa viagem pra você então.

[Jow Filho] – Obrigado. Benção fica com Deus

[Jow Pai] – Você vai com ele.

(Eu ia precisar)

Como se não bastasse a minha elevada dose de acontecimentos aleatórios, resolvi potencializar tais acontecimentos:

(Se você não conhece o João Vitor Leia a descrição dele aqui:)

[Jow] – Alô? Boa Noite. Por favor, o João Vitor?

[Mãe do João] – Só um minuto! JOÃO OOOOOOOOOOOOOOO!

[João] – Quem é?

[Jow] – O João é o Junnel! Bom?

[João] – To bom e você?

[Jow] – Tranqüilo! :) o que você está arrumando?

[João] – Nada cara e você?

[Jow] – Ouro Preto. Vamos?

[João] – Que horas?

[Jow] – Agora!

[João] – Vamos!

[Jow] – Na verdade não é tão agora, o ônibus sai da rodoviária 0:00 ok?

[João] – Beleza então a gente encontra lá em baixo?

[Jow] – Olha, eu to no Barreiro, to indo pra rodoviária daqui a pouco.

[João] – Ok a gente encontra lá então.

[Jow] – Perfeito. Até mais

[João] – Até.

Como você bem sabe, o fato de eu estar escrevendo este texto hoje significa que eu não morri, e muito menos que aconteceu alguma coisa que deixasse seqüelas eternas (não as visíveis.) portanto, fica provado que esta não é uma história tão trágica quanto a de 2007.

Um ponto positivo para este carnaval é a existência de fotografias, o que possibilita uma visualização melhor dos acontecimentos.

Outro ponto forte é o fato de não ser uma história tão longa quanto a do carnaval passado. (apesar de, pelo menos pra mim, tenha sido menos Trágico e mais divertido)

Não vou lançar cada capitulo a cada dois dias, pois seguindo o meu planejamento, se eu fizer assim o ultimo capitulo só será lançado após o carnaval.

Parte 2

19/01/2010

Haiti e o mundo. Você faz a diferença

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 10:23

No tempo entre a primeira e a segunda temporada das Crônicas de Carnaval que foi só felicidade, resolvi falar um pouco sobre um tema que infelizmente não é dos mais divertidos. O terremoto no Haiti que Literalmente abalou o mundo.

Mas isso num ponto de vista mais jornalístico.

Não que eu seja um jornalista (alias, todo mundo é jornalista ahahaha) mas não que eu conheça as técnicas corretas para descrever, mas eu vou tentar.

Primeiro o lead (para caso você tenha estado incomunicável, ou debaixo dos escombros nos últimos 7 dias)

Um terremoto de 7,3 graus na escala Richter atingiu o Haiti e teve seu epicentro nas imediações da capital Porto Principe. A destruição na capital do país mais pobre das Américas foi generalizada e estima-se o espantoso numero entre 100.000 e 200.000 mortos. Ou seja, segundo a Wikipédia o população do país que era de 8.121.622 habitantes com este trágico acidente pode ter perdido 2,46% da sua população. Isso sem levar em consideração a estrutura básica, e social.

Prédios destruídos, super mercados, hospitais, igrejas, até mesmo a sede do governo ficou destruída. E no meio de tudo isso, a segurança nacional preocupada com os saques.

PELO AMOR DE DEUS! Se eu fosse governante, numa catástrofe desta com pessoas brigando por comida, a primeira coisa que eu faria era:

“Donos de super mercados, farmácias postos de gasolina e etc. como vocês todos sabem esta enorme catástrofe que se abateu no nosso país deixou milhares de pessoas na rua, sem água alimento nem nada. Precisamos nos unir neste momento para reerguer o nosso país e por isso, estou determinando que todos os alimentos em estoque e prateleiras, todos os remédios e todo o combustível serão considerados domínio publico.

O nosso exercito irá controlar para evitar saques, e infelizmente neste momento nenhum de vocês será ressarcido por isto! Posso afirmar-lhes que a vida é a maior riqueza que vocês têm neste momento e por isto o dinheiro não será necessário. Quando tivermos um controle maior sobre a catástrofe todos vocês serão devidamente indenizados, pois tenho certeza que o mundo irá se mobilizar para ajudar o nosso país! Vocês serão considerados heróis por terem ajudado o país num momento tão crucial. Sei que pode haver resistência quanto a tal decisão, mas esta é uma ação que deve ser tomada para evitar a morte de milhares de outras pessoas.

Lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, não fazem parte deste plano de recuperação e qualquer um que for pego fazendo saque de tais itens serão punidos. Mas não acho que pessoas que viram tudo desmoronar, irão agir de maneira tão egoísta.

Muito obrigado e que Deus nos abençoe!

(Pronto este seria mais ou menos o meu primeiro discurso após o terremoto)

[Será que já posso ser presidente de algum
país de terceiro mundo por ai? Ops desculpa, eu não posso fazer nenhuma
piadinha de humor negro com um tema tão sério.]

Chocante, mas com um acontecimento destes, toda a estrutura social simplesmente desaparece! Não existem ricos ou pobres afinal a casa do pobre caiu… e a do rico também!

É difícil se imaginar em tal cenário, e foi assim que deve ter se sentido a mulher que filmou o primeiro vídeo liberado após o terremoto: “É o fim do mundo” disse ela.

E realmente para mim não deve ser muito diferente disso.

Não vou pregar nenhuma previsão apocalíptica, mas simplesmente acho que acontecimentos super poderosos estão acontecendo com uma freqüência estranha.

Vocês se lembram do Terremoto na China? Aconteceu em 12 de Maio de 2008. Teve uma magnitude de 8,0 na Escala Richter, e matou cerca de 85.000 além de deixar mais de 358.000 feridos? E da Tsunami? Que em dezembro de 2004 matou mais de 285.000 pessoas na Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia, Somália Mianmar, Malásia, Maldivas, Seychelles, Tanzânia, Bangladesh, África do Sul, Quênia, Iêmen e Madagascar (Wikipédia).

Acontecimentos naturais sempre aconteceram no nosso planeta, e muitos deles passaram despercebidos por muitos anos afinal o homem não tinha como monitorar. Alem disso, não estava presente nos locais mais longínquos da terra.

Só sei que cada vez mais começamos a receber recados da natureza e que se não começarmos a prestar atenção o quanto antes…

Bla bla bla.

Faça a sua parte, e não se preocupe se é pequena.

Vou fechar o post com uma historinha que ajuda a visualizar isto:

O menino e as estrelas do mar:

Um homem estava observando a praia pela manha e reparou em um garoto que corria.

O garoto corria e jogava algo no mar.

Ao se aproximar percebeu que o garoto estava jogando estrelas do mar de volta para a água.

Mas mesmo assim resolveu fazer a pergunta:

Ei Garoto, o que você esta fazendo?

E o menino respondeu:

A maré baixou, e essas estrelas do mar ficaram presas na areia. O sol vai ficar forte mais tarde e se elas não voltarem para a água vão secar e morrer.

Então o homem pensou um pouco e disse:

- Você sabia que o Brasil tem mais ou menos 8 mil km de praias? E no mundo você sabe quantos milhares de km existem? Pensa em quantas estrelas do mar existem morrendo neste momento! Isso que você está fazendo não vai fazer diferença nenhuma!

O menino baixou a cabeça…

Correu para outra estrela do mar e a pegou.

E respondeu o homem:

- Posso não fazer diferença pras milhares de estrelas do mar que estão morrendo agora.

E a jogando a estrela de volta pro mar

- Pra esta aqui eu fiz.

É isto que eu tento fazer neste blog J

Espero que tenham gostado.

18/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2007 – Parte 6 – Final

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 15:00

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Quarta-Feira de cinzas – 5:00

Acordei, levantei com a blusa toda molhada. Olhei para os lados e não me lembrava de nada. Sabia que estava na república ainda, para ser mais exato no meu quarto, digo na boate.

O som de “bate-estaca” fritando na minha cabeça (que doía demais!) me irritou e eu saí.

O dia estava escuro ainda, mas eu sabia que era umas 5:00. Saí da república ainda meio atordoado e fui até onde o carro estava parado.

E para a minha surpresa….
SURPRESA! O CARRO NÃO ESTAVA LÁ!

Imaginei: ou o carro foi roubado, ou eles foram embora e me deixaram pra trás!

Acho a segunda opção mais plausível já que não consegui achar nenhum dos dois.

Resolvi então voltar para a república, e descansar até mais tarde para finalmente poder pegar um ônibus e voltar para casa.

Quando volto para a república, resolvo perguntar ao segurança sobre os dois.

[Jow] – Bom dia!

[Segurança] – OPA E AI JUNIOR! QUE BOM QUE VOCÊ TÁ BEM!

[Jow] –???… Ta… To melhor sim! :) Deixa eu te perguntar, você viu meus amigos?

[Segurança] – Ih! Vi sim! O João e a Rúbia! Eles saíram! A Rúbia voltou há pouco tempo, mas o João não voltou não.

[Jow pensando] – Hum eles devem ter saído e brigaram, o João foi embora e deixou ela pra trás!

[Jow] – E você sabe onde que a Rúbia está?

[Segurança] – Olha, ela tava dormindo lá na boate.

[Jow] – Sério?

[Segurança] – Sim, desceu pra lá agora a pouco.

[Jow] – Obrigado :)

[Segurança] – Que isso Junior, sempre que precisar!

Desci para a boate e La estava a Rúbia dormindo há uns dois colchões de distancia de onde eu estava.

Eu cutuquei ela.

[Jow] – Rúbia!!

[Rúbia] – oi.?

[Jow] – Cadê o João?

[Rúbia] – O João? O João é um babaca! Ele foi preso?

Ela falou isso e virou pro lado pra dormir denovo

[Jow] – Como assim???????

[Rúbia] – Ah, nós saímos ontem à noite, ele acelerou o carro, ficou fazendo barulho. Veio um policial perguntar o que ele tava fazendo, e ele respondeu o cara com aquelas viagens dele. O policial o prendeu por desacato a autoridade.

[Jow] – E cadê o carro?

[Rúbia] – O carro está ao lado da prefeitura.

[Jow] – Vamos lá pegar o carro e ir buscar o João!!?!

[Rúbia] – Espera pelo menos o sol nascer!!

[Jow] – Tá bom, (afinal eu também estava cansado)

E deitei.

Não consegui dormir e nem descansar. Então rapidamente levantei.

[Jow] – Vamos Rúbia, eu to sem paciência, vamos lá buscar o carro e o João?

[Rúbia] – Ok Vamos.

Minha blusa ainda estava encharcada e eu morrendo de frio. Então fui até os quartos (quartos de verdade) e encontrei com o Meiniken.

[Jow] – Olá cara! Bom dia tudo bem?

[Meinikein] – Sim eu estar bom…

(Eu não estava bêbado o suficiente para falar em inglês)

[Jow] – Esta coberta aqui é sua? Eu posso pegá-la emprestada?

[Meinikein] – Sim! SIM!

[Jow] – Muito obrigado.

[Meinikein] – De nada!

Saímos então eu e Rúbia, enrolados na coberta como dois beduínos.

O tempo todo tentando falar com o João no celular.

E nada de conseguir.

Chegamos até a prefeitura municipal de Ouro Preto.

[Jow] – Onde está o carro?

[Rúbia] – Estava ali.

….

PRONTO DESTA VEZ SIM ROUBARAM O CARRO!

[Jow] – Ok, então vamos voltar pra república, o João ta preso e o carro foi roubado.

[Rúbia] – Vamos.

[Jow] – A gente descansa até mais tarde e vamos embora de ônibus.

[Rúbia] – ok.

Voltamos e o tempo todo tentando falar com o João.

Quando de repente ele atende!

[João] – Alo?

[Jow] – João!!! Aonde você ta cara?

[João] – To na republica.

[Jow] – Você não tava preso?

[João] – Sim, mas eles me soltaram!

[Jow] – :) que bom! Fico feliz! Você está na república né?

[João] – Sim.

[Jow] – EU to indo praí e nós vamos embora agora ok?

[João] – Melhor!

[Jow] – Se você não estiver conseguindo dirigir eu levo o carro, mas nós vamos embora agora ta?

[João] – Eu prefiro dirigir, venham logo então.

[Jow] – Ok.

Subimos todo o caminho de volta.

Chegamos à república e quando fui ao quarto devolver a coberta ao Meiniken, vi que tinha um cara com rosto mais ou menos familiar doido revirando as coisas dele.

Ai ele olhou pra mim e disse

EI CARA! ESTA COBERTA É MINHA!

:O até eu tentar explicar que o alemão tinha me emprestado a coberta pensando que era dele…

Não tentei.

Simplesmente pedi desculpas, joguei a coberta e sai fora.

Nisso o sol já estava nascendo e o povo começava a se levantar, preparando pra ir embora.

Reparei que metade das pessoas que levantavam me tratavam como um ótimo amigo ao passo que a outra metade não me olhava com os melhores olhos.

E eu não sabia o que havia acontecido.

Procurei o João.

[Jow] – Ei João vamos embora?

[João] – Vamos sim, tá perigoso ficar por aqui!

[Jow] – Como assim?

[João] – Você caçou briga ontem!

[Jow] – Cacei?

[João] – Sim, mas você também fez amigos.

[Jow] – Menos pior.

[João] – É sim, mas de qualquer forma é melhor nós irmos embora antes que o pessoal acorde!

Não pestanejei, juntei todas (???) as minhas coisas e entramos no carro!

Pedi a Deus que tivéssemos uma viagem de volta tranquila.

E na saída de Ouro Preto pedi ao João para dar uma parada perto de uma fonte.

Nesta fonte havia uma pequena estatua do Cristo Redentor em Pedra sabão.

Ele estava de braços abertos me pedindo um abraço!

Fui obrigado a ir até lá agradecer por ter sobrevivido a este carnaval!

Abracei-o e voltei para o carro, pronto para seguir viagem.

A viagem de volta foi tranquila, sem nenhum imprevisto (Exceto a hora que eu tive que parar na porta do palácio das artes para vomitar)

Chegamos à casa da Rúbia. Ao descer ela me pediu desculpas, falou que ficou meio stressada com tudo que havia acontecido (eu acho que qualquer um exceto eu, ficaria) e falou que apesar de tudo, a minha felicidade ainda a incomodava.

Ahhaahhah rimos muito disso e por muito tempo!

Mas no final nos mostramos pessoas boas um ao outro muito além das aparências, crenças e gostos musicais.

(tive contato com ela por mais algum tempo no MSN, mas depois ela sumiu).

Cheguei em casa sozinho,

Olhei para tudo aquilo.

Liguei para meus pais. Eles estavam no pesque pague ainda e só voltariam na quinta feira de manha.

Eu não iria agüentar passar a noite sozinho em casa. Então fui para Santa Luzia me encontrar com eles.

Uma noite familiar entre pessoas que eu conheço foi o ponto final deste carnaval tão conturbado e Louco de 2007.

É por estas e outras que eu falo:

Eu não acho que sobreviveria a um carnaval inteiro em Ouro Preto. E é por isso que em 2008 também só fui para lá na segunda feira à noite.

Mas isso é assunto para outra história.

15/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2007 – Parte 5

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:00

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte V – O começo do Fim

Ouro Preto – Quarta Feira de Cinzas – 0:01

Tudo o que me lembro é exatamente o que me contaram. E isso não é muita coisa!

Terça de Carnaval Aproximadamente 13:00

Voltamos para a república com o sentimento de dever cumprido, além de uma estranha felicidade que chegada a incomodar as pessoas. A esta hora da manha eu nem tinha bebido ainda mas mesmo assim estava extremamente feliz.

Estávamos na república, som bombando, sol rachando, tudo pra ser um perfeito dia de carnaval!

Então começamos a beber.

Pude notar um cara sentado sozinho num banco, e enquanto eu com meu copo de cerveja na mão, o cara estava com um livro!

Quem em sã consciência estaria em plena terça feira de carnaval lendo um livro?

Essa foi a pergunta que eu me fiz.

Depois de tê-la dirigido à mim mesmo  sem nenhuma resposta convincente, tentei perguntar isso pro João e pra Rúbia.

Ambos também falharam em dar uma explicação plausível.

Então resolvi fazer o mais óbvio e correto.

Perguntar ao próprio cara!

[Jow] – Cara, como assim, pleno carnaval e você lendo?

[...] – É por que eu ser de fora. Eu ser de outro país. Da Alemanha. Qual seu nome?

[Jow] – Joubert e o seu?

[...] – Meinikein (pronuncia-se algo parecido com Monica)

[Jow] – Nossa que nome diferente.

[Meinikein] – O seu também é.

[Jow] – É, o meu é Francês, não é português não.

[Meinikein] – Eu ver.

[Jow] – Você fala inglês?

[Meinikein] – Sim, melhor do que português.

[Jow] – So let’s speak in English

[Meinikein] – Good. Better for me!

[Jow] – I couldn’t say the same, my English is basic, but I’m already drunk so I can try.

[Meinikein] – AHAHA it seems to be good.

Nesse momento comecei a gastar TODO o meu inglês básico bêbado conversando com um alemão em Ouro Preto. A conversa foi em inglês, mas eu vou escrevê-la em português aqui.

[Jow] – Você gosta de música brasileira? Por que a musica no carnaval não é das melhores.

[Meinikein] – Ah sim, a musica brasileira é boa! Inclusive estas que estão tocando aqui no carnaval.

[Jow] – Você consegue entender o que está sendo dito nestas musicas?

[Meinikein] – Não.

[Jow] – Então é por isso que você gosta! Ahahhaha

[Meinikein] – E você? Conhece alguma coisa de musica alemã?

[Jow] – Conheço três bandas de rock. Inclusive a minha banda favorita é alemã, mas eles cantam em inglês.

[Meinikein] – Quais?

[Jow] – Blind Guardian, In Extremo e Rammstein

[Meinikein] – Estranho. Não conheço nenhuma delas.

[Jow] – AH, elas fazem um sucesso relativo por aqui.

[Meinikein] – Não conheço. Mas essa ultima Rammstein.

[Jow] – Qual o problema com ela?

[Meinikein] – Rammstein é o nome de uma cidade alemã, onde aconteceu um acidente de avião. Qualquer alemão reconhece este nome e fica triste por se lembrar deste acontecimento.

[Jow] – Nossa! Não sabia. Me desculpe.

[Meinikein] – Tudo bem, não foi você que escolheu o nome da banda. Fico triste por eles terem escolhido um nome que da tanta tristeza no meu povo.

[Jow pensando] – nossa que emotivo esse cara… Será que perdeu alguém neste acidente?De qualquer forma não vou perguntar.

[Jow] – AH, vamos mudar de assunto, vou te contar uma piada pra ate fazer rir!

[Meinikein] – Ok!

E lá fui eu me arriscar a contar a minha primeira piada em inglês.

[Jow] – Do you know why Mario went to the psychologist?

[Meinikein] – No… Why?

[Jow] – Because he was passing through a very difficult phase!

[Meinikein] – …

[Jow] – You Know… Mario… Super Mario? Phase! Got it?

[Meinikein] –… WOW… MAN… ahhahahahaahahah

E ele começou a rir incessantemente. Não sei se da piada ou da minha tentativa.

Sei que tive o objetivo alcançado.

Depois que ele parou de rir, continuamos a nossa conversa.

[Jow] – Mas e ai? O que você esta achando do Brasil em geral?

[Meinikein] – Eu visitei vários lugares e vocês têm um belo país!

[Jow] – Realmente é tudo muito bonito, mesmo eu não conhecendo tudo.

[Meinikein] – É sim e me surpreendeu vocês não terem macacos andando por ai.

OQUE???

[Jow] – Como assim?

[Meinikein] – É eu antes de vir para cá pensava que quando chegasse aqui, só haveria índios e animais andando pelas ruas.

[Jow] – Ainda bem que você viu que isso é um pensamento burro não é?

[Meinikein] – Sim!

[Jow] – Pensar assim é a mesma coisa que pensar que todos os alemães são Nazistas.

[Meinikein] –…

[Jow] – Teve um tempo que eu pensei que todos fossem nazistas, mas depois eu vi que determinar um determinado povo pelo seu passado ou acontecimentos assim é uma tremenda burrice.

[Meinikein] – É mesmo eu não sou nem nunca fui nazista.

[Jow] – É e nem eu não sou nem nunca fui índio. E nunca vi um macaco andando pela rua.

[Meinikein] – hahahaha que bom!

Depois de papos musicais, cômicos e políticos, decidi levantar.

Joguei truco, tomei mais cerveja e mais e mais e mais e mais!

E de repente acordei na quarta feira de cinzas de madrugada! Com a minha blusa de frio toda encharcada.

Não perca o surpreendente ultimo capitulo das crônicas de carnaval 2007.

Parte 6

14/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2007 – Parte 4

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:00

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Ouro Preto – Quarta Feira – 5:00

Acordei a esta hora, o sol nem tinha nascido ainda. Minha blusa está completamente encharcada e eu não consigo encontrar os meus amigos. Afinal onde estava o João? Onde estava a Rúbia?

Ouro Preto – Terça Feira – 2:00

Chegamos a Ouro Preto por volta das 2 da manha da terça feira.

De lá paramos um pouco na praça central para tomar umas garrafas de vinho e então depois poderíamos seguir para a república dos amigos do João. Comprei três garrafas de vinho por R$10,00, ou seja, metade do dinheiro que eu havia levado já foi gasto nos primeiros 15 minutos na cidade.

Sei que quando chegamos à república eu já estava bêbado o suficiente para entender como uma boa idéia a possibilidade de dormir na Boate da Casa (lugar que ficou conhecido como o nosso quarto)

Ouro Preto – Terça Feira – 09:00

No amanhecer da terça feira eu já estava recuperado e só conseguia pensar em ir logo consertar os pneus antes de poder curtir o maravilhoso carnaval de Ouro Preto.

Acordamos por volta das 9 da manha.

[Jow] – Vamos arrumar os pneus João?

[João] – Bora!

[Rúbia] – Eu não vou ficar aqui sozinha!

Então fizemos o caminho reverso de 5 km que durante o dia com sol na cuca parecia ser muito maior. Além disso, desta vez estávamos subindo os morros ao invés de descer!

Como pode ser né? Uma data comemorativa juntar tanta gente doida…

Passamos pela porta da rodoviária, depois por uma quadra que estava Absolutamente cheia de latas de cerveja (eu fiquei assustado, acho que nunca vi tanta cerveja na minha vida) e uma pequena descida depois chegamos ao posto onde o Uno Mille Azul metálico estava parado.

Já era de manha e provavelmente o borracheiro do posto estaria aberto…

Ainda não, por isso esperamos um pouco e então pedimos informação a um frentista que nos informou com muito prazer que o borracheiro só Iria abrir depois do carnaval.

MARAVILHOSO!!!

Onde ficava o borracheiro mais próximo?

No centro da cidade!

FUUUUUUUUUUUU….

O que poderíamos fazer?

Mais uma vez tive uma brilhante idéia! (em momentos de aperto eu fico tão responsável né?)

Precisaríamos de uma carona até o borracheiro!

Olhei para o João com seus cabelos revoltos e sua barba de terrorista e pensei “Eu teria medo e não daria carona pra um cara desses!” olhei para a Rúbia toda de preto e pensei “Eu teria medo e não daria carona pra uma moça dessas” isso faz com que eu seja o único “Caronável” do grupo.

Não deu outra, peguei os dois pneus, empilhei sentei em cima e fiquei pedindo carona!

Perdi as contas dos carros que passaram direto, dos que passaram direto buzinando e gritando “Se FUDEU” e dos que passavam buzinando e falando “se meu carro estivesse vazio eu o levaria”.

Até que num momento que estava prestes a perder as esperanças, surge uma Fiat Strada Prata.

Dois caras no banco da frente e um sentado na carroceria.

[Motorista] – Ta precisando de uma carona pro borracheiro?

[Jow
pensando] – Não… Pro açougue!

[Jow] – To sim velho, você pode me ajudar?

[Motorista] – Sobe ai velho!

[Jow] – VALEU!!!

Coloquei os dois pneus na carroceria sentei e vi que ela estava cheia de frutas!

Peguei meu telefone e liguei para o João para contar que tinha conseguido uma carona!

[Jow] – Alo João? É o Junnel velho! Consegui!! Consegui a carona! Os caras vão me levar La na borracharia…

(neste momento senti alguém cutucando o meu ombro)

[Jow] – É! Os caras falaram que vão me dar uma carona até a borracharia que fica no centro da cidade! Isso!

(reparei então que o carro tinha diminuído a velocidade quando escutei alguém falando comigo)

[???] – VOCÊ vai descer daí na boa?

(quando olhei vi que era um policial)

[Policial] – Ou eu vou ter que tirar você ai na porrada?

[Jow] – João depois eu te ligo. Não. Não será necessária violência seu guarda, já estou descendo.

Estávamos na porta da rodoviária, e a policia militar estava fazendo uma mini blitz para coibir tal tipo de contravenção.

Desci do carro e pensei

Fudeu! Agora os caras vão acelerar e levar o pneu embora”

Só que quando eu olhei pro lado, vi que o cara que estava comigo na carroceria também tinha sido expulso, e ele olhou pra mim e fez sinal para continuar andando.

Passamos uns 100 metros e nós dois voltamos para dentro da carroceria.

Ufa! Mais um susto que passou.

Então de repente (uau tudo acontece de repente) o cara que estava no banco de passageiros me chama.

[Passageiro] – Velho seguinte, a gente não pode te levar direto para a borracharia, por que temos meia rota para fazer antes de passar lá na borracharia. Por isso, você pode descer aqui e conseguir outra carona.

[Jow] – A borracharia esta próxima?

[Passageiro] – Ou até que tá, mas para ir a pé fica um pouco longe. Então é melhor você conseguir outra carona.

[Jow] – E a rota que vocês têm que fazer é muito longa?

[Passageiro] – Ah, nem é tanto assim, são umas 4 pousadas.

[Jow] – Eu vou com vocês. Pode?

[Passageiro] – Uai, sem problemas.

Pronto, tinha conseguido uma carona “vitalícia”

Paramos na primeira pousada, e eu não me senti nada bem, de ficar sentado de boa enquanto os caras todos trabalhando para descarregar as frutas!

Por isso comecei a ajudá-los também! Pegava as caixas e entrava nas pousadas como se fizesse isso há anos!

Foi divertido! E ainda por cima eu havia arrumado uma forma de “pagar” pela minha carona.

Passamos por outras três pousadas antes que eles me deixassem na porta de uma borracharia!

Eu estava com a minha blusa de frio amarrada na cintura e uma camiseta que provavelmente iria me proporcionar uma bela marca de sol!

Despedi-me dos meus novos amigos! Ainda brinquei com um deles (que ao receber uma ligação da noiva, deu end na cara dela) e falei

[Jow] – É cara, você não devia fazer isso com a sua noiva! Ainda mais no carnaval! O que ela vai pensar? Ahaahhah

Cheguei à borracharia e falei com o borracheiro

“por favor, arruma ai”.

Ele pegou os dois pneus e enquanto isso eu fiquei sentado do lado de fora da borracharia que era muito pequena e apertada.

Ao terminar de arrumar, resolvi perguntar:

[Jow] – E ai cara? Quanto ficou?

[Borracheiro] – R$20,00.

[Jow] – Como é?

[Borracheiro] – R$20,00.

[Jow] – Houston, we have a problem.

[Borracheiro] – AHM?

[Jow] – Eu tenho um problema, tudo que eu tenho juntando todos os meus bolsos somam R$10,00.

[Borracheiro] – Nossa assim você me apertou.

[Jow] – Mas é verdade cara… Eu to sem dinheiro, faz assim, pode estragar um dos pneus denovo. Eu só tenho dinheiro pra pagar por um.

[Borracheiro] – Não que isso! Faz assim, fica de brinde!

[Jow] – Nossa! MUITO OBRIGADO CARA VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO TANTO QUE TA ME AJUDANDO!!!

[Borracheiro] – Que isso, sem problemas.

[Jow] – Você pode me dar mais uma informação?

[Borracheiro] – Claro

[Jow] – Como eu faço pra voltar pra entrada da cidade?

[Borracheiro] – Ah, o Ônibus passa ali. Você pega ele e vai descer lá perto.

[Jow saindo da
borracharia] – Muito obrigado

[Borracheiro] – Nada!

Saí e fiquei no ponto que era bem perto da porta da borracharia…

Quando atinei para um fato. Eu não tinha mais dinheiro!

Andei de um lado para o outro… Pensando em o que fazer. Eu com os dois pneus consertados na mão, mas sem dinheiro para pegar o ônibus…

Então o cara da borracharia saiu de lá e falou

[Borracheiro] – Algum problema?

[Jow] – Sim…

[Borracheiro] – Toma aqui o dinheiro pra você pegar o ônibus

E me deu R$2,00

Pronto! Não havia espaço para azar no meu carnaval! E Mais nada ia dar errado!

Agradeci e entrei no ônibus que passou logo em seguida.

Entrei pela porta de trás e lá fiquei sentado.

Conheci as pessoas que estavam indo embora da cidade afinal já era terça de carnaval.

Carnaval que para mim estava apenas começando.

Estava num papo muito bom (inclusive com a trocadora do ônibus) quando olhei para o lado esquerdo e reparei que eu conhecia aquele lugar.

Já havia feito aquele trajeto.

Então descobri que o ônibus estava exatamente entre a quadra cheia de cerveja indo em direção à rodoviária, o que fazia com que o posto onde o carro estava estacionado já tivesse ficado pra trás!

Entrei em desespero, e dei o sinal correndo!

Desci no próximo ponto que na verdade nem era tão longe dali.

Pronto estava próximo do fim, eu com os dois pneus debaixo dos braços descendo a rua. Quando tive mais uma brilhante idéia!

“Por que eu estou carregando dois pneus num morro que nem é tão íngreme? Vou colocar um desses pneus no chão e ir rolando enquanto levo o outro na mão.”

Comecei a fazer isso, até o momento que o morro ficou mais íngreme e o pneu começou a correr mais que eu. Desci correndo atrás dele, e consegui alcançá-lo antes que uma merda maior fosse feita.

Finalmente cheguei até o posto!

Com um sorriso de vencedor no rosto enquanto João e Rúbia estavam sentados numa sombra.

Parece que ficaram felizes ao me ver.

Joguei os pneus em cima do João e falei: “Pronto! Sua vez!”

Entrei no carro e simplesmente desmaiei no banco de trás.

Eles arrumaram os pneus, entraram no carro e fomos voltando para perto da república.

Enquanto isso eu no banco de trás ia pensando.

É, meu carnaval ta uma loucura só. Só coisas estranhas acontecendo. Eu estou cansado, desanimado e parece que tudo ta dando errado, mas na verdade não está! Estamos conseguindo fazer tudo! Então eu não vou ficar aqui deitado! Afinal eu não sai de Belo Horizonte para vir pra cá ontem, 23:00 para ficar dormindo no banco de trás do carro.”

Após pensar nisso tudo, eu levantei, sentei entre os dois bancos da frente e gritei:

[JOW] – BOM DIA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!

[João] – ahhahahaah você é doido Junnel!

[Rúbia] – Junior.

[Jow] – Oi Rúbia?

[Rúbia] – Cala a boca! A sua felicidade me incomoda!

[Jow] – … (nunca ninguém tinha falado assim comigo) Incomoda?

[Rúbia] – SIM! E MUITO!

[Jow] – Então BOM DIA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

[Rúbia] – GRRRRRRRRR!!!!!

Voltamos para a república e é agora que o carnaval começa a acabar.

Mas isso você só vai saber como aconteceu amanha. :) . Nada pessoal, eu Juro, mas eu realmente preciso fazer com que você queira continuar vindo aqui!

Parte 5

Próxima Página »

Tema: Rubric. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.