Thom Joubim

01/07/2010

Das Velhinhas solitárias e as noitadas

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 14:00

E chegou à porta da casa de sua vizinha Dona Célia.

Recuperou o fôlego… respirando fundo e então tocou a campainha enquanto dava o ultimo suspiro de quem estava antes ofegante.

Aguardou um tempo e então ouviu os passos vindo.

Boa! Ela está em casa – comemorou Wilson.

Quem é???? – Perguntou Célia

Oi, dona Célia! É o …

Quem é??? – perguntou novamente

Dona Célia é o…

Quem?

Wilson!!! Seu vizinho aqui de baixo!!!

Ahhhh, vou pegar a chave Wilson, vou pegar a chave….

Pronto vou esclarecer toda esse história

Oi de novo Wilson – disse ela olhando-o de uma forma que o fez arrepiar. – O que você faz aqui?

Olá dona Célia. Dona Célia, queria te pedir um favor…

Pode falar meu filho… se estiver ao meu alcance…

Eu posso usar seu telefone?

Ohhh meu filho… Venha aqui…

Era a primeira vez em 5 anos que morava no prédio que Wilson entrava no apartamento de sua vizinha.

O Apartamento era meio escuro, e estava iluminado apenas pelo sol que passava através das cortinas brancas e extremamente finas em várias camadas.

Tudo era impecavelmente arrumado, nem parecia que o espaço era idêntico ao seu próprio apartamento.

Vários armários em madeira maciça, e com portas de vidro que deixavam a mostra varias peças de cristal.

Wilson contou 3 espelhos no lugar o que parecia deixá-lo mais amplo.

Com certeza durante a noite aquele lugar devia ficar extremamente iluminado – Pensou após reparar que havia um grande lustre com 8 lâmpadas acima da sua cabeça.

Nossa dona Célia! Como seu apartamento é bem arrumado, nem parece que você mora no mesmo prédio que eu.

HAHAHAH obrigado meu filho, são coisas que eu fui conquistando ao longo da vida… tudo fica bem organizado por que eu fico aqui sozinha então não tem quem bagunçar.

Mas mesmo assim dona Célia, eu também moro sozinho e quase ninguém vai à minha casa, mas ainda assim ele é muito bagunçado.

… Organização e disciplina nós aprendemos com o tempo.

TOOOOOOOMAAA DISTRAÍDO VAI FALAR DEMAIS!!!

E você tem muito a aprender… Você ainda é muito jovem…

É… realmente… eu ainda tenho muito a aprender…

Você vai… você vai… Aceita uma água? Um suco? Um biscoito?

Nesta hora Wilson percebeu que estava MORRENDO de fome… não devia comer há horas, a ultima coisa que lembrava de ter comido era o almoço do dia anterior.

Não quero incomodar dona Célia…

Ah não, sente-se aqui vou pegar uns biscoitinhos…

Dona Célia… o telef…..

Tarde demais, ela já havia saído para a cozinha…

Eu fiz uma fornada ótima de biscoitos… na verdade era pra depois do almoço, mas acho que eles já devem ter esfriado… – ela gritou da cozinha.

Putz, eu quero usar o telefone… mas esses biscoitinhos são bem válidos…

Dona Célia voltou com um avental florido e luvas, segurando uma forma de biscoitos.

O cheiro era delicioso e fez com que Wilson percebesse o tanto que estava com fome.

Ela colocou os biscoitos que eram grandes e tinham bolas de chocolate em um prato em cima da mesa…

Wilson não conseguia tirar os olhos dos biscoitos…

Quando terminou dona Célia voltou para a cozinha.

Você prefere suco, refrigerante ou café? – gritou ela novamente.

…. tele… biscoitooosss…vou aceitar um café…

O que????

Caféééé por favor!!!

Nossa… que delicia! Biscoitos e café numa “manha” de domingo…

Célia voltou, desta vez sem o avental, mas com um gracioso jogo de café com um bule de porcelana branco com o desenho de uma mulher nua sentada na beirada de um rio. Algo que realmente parecia ser bem antigo e valioso, mas que surpreendeu Wilson pela nudez.

Tem tanto tempo que eu não sento assim para tomar café…

Meu Deus… só ta me aparecendo gente doida hoje…ahaha eu também dona Célia… se bem que, eu acho que nunca tomei café assim….

As xícaras e pires também eram brancas e seguindo a estética do bule, tinham uma fina linha dourada em todas as bordas.

Nossa.. estas xícaras são realmente muito bonitas dona Célia….

Sim, também acho muito bonitas… elas devem ser mais velhas que você… ahhaha mas isso não é difícil não é? Você é tão novinho…

Ahhahaaha realmente…

Wilson estava extremamente sem graça de interromper o café com o pedido de usar o telefone novamente.

Dona Célia serviu duas xícaras com um café que também tinha um cheiro extremamente bom parecia ter acabado de ser feito.

A fome falou mais alto, e Wilson atacou os biscoitos sempre intercalando com uma bebericada no café.

Dona Célia! Estes biscoitos estão realmente ótimos… o café também está do jeito que eu gosto…

Ah… que bom que você gostou meu filho… Bom que você gostou, normalmente sobram alguns biscoitos e pelo que eu vejo não acho que vai sobrar nenhum hoje… Tem um rapaz que mora na rua aqui perto, o nome dele é Cezar, normalmente ele passa aqui e eu sempre dou alguns para ele… não é bom ser solitária… esta casa antes era tão movimentada… e agora eu fico aqui sozinha… não me acostumei com isso direito…

Wilson percebeu os olhos mareados de dona Célia e tentou acalmá-la.

Ah, são os dias de hoje, a correria… ninguém tem tempo pra nada não é mesmo?

Ah… eu tenho bastante tempo… tempo que antes eu gastava para cuidar dos meus filhos… do meu marido… mas o tempo passa… as crianças crescem e vão embora… meu marido faleceu há alguns anos…

Mais uma vez dona Célia estava prestes a chorar…

Mas você não tem nada a ver com a vida de uma velha solitária…

Wilson sentiu um nó no estomago… mas prestou atenção em um ponto e resolveu retomá-lo

Dona Célia, você disse Cézar? Ele mora aqui perto?

Mora sim, é um morador de rua, ele me ajuda de vez enquando quando tenho que trocar lâmpadas, ou limpar as janelas que eu já não alcanço mais… mas o melhor é conversar com ele…

Ah!!! Eu conheci ele a pouco, é um homem negro não é?

Sim, muito inteligente… dá até dó vê-lo morando na rua…

Realmente. Ele conversou um pouco comigo quando eu estava tentando usar o orelhão para falar com a Clara…

CLARA!!! Eu esqueci que tinha vindo aqui para usar o telefone…

Inclusive foi ele que me sugeriu procurar ajuda com algum conhecido pois o orelhão estava estragado, e meu celular sem bateria…

Humm… Entendo… Mas ele falou pra você vir me procurar?

Não… Ele sugeriu que eu procurasse algum amigo que mora aqui perto… e eu me lembrei de você…

Realmente eu não tenho muitos amigos… a única pessoa que me veio a cabeça quando fui questionado com isso foi uma senhora viúva que mora em cima do meu apartamento… realmente a situação está grave…

Os seus amigos da festa de ontem não moram aqui perto?

Dona Célia, vou te contar uma coisa que é um grande problema pra mim…

Como assim meu filho?

Não teve uma festa na minha casa ontem… na verdade eu não me lembro…

Como assim?

Eu me lembro ontem a noite que conversei com a Clara, nós combinamos de nos ver, e então eu fui me arrumar.

O som devia estar ligado e deve ter ficado assim a noite inteira…. por isto ele te incomodou tanto…

Mas eu simplesmente acordei na minha cama, desse jeito (inclusive de tênis) mas não acho que tenha acontecido uma festa na minha casa… eu simplesmente não sei o que realmente aconteceu ontem…

Nossa… não entendo…

Nem eu… e é por isso que eu estou tão desesperado pra falar com a Clara… Ela deve estar louca comigo, por que eu não dei noticias ainda… e hoje é o aniversário de 80 anos da avó dela… Vai ser um grande almoço num salão de festas alugado pela família…

Ah que ótimo… fica à vontade pra usar meu telefone meu filho… ele ta ali olha.

O telefone também era bem antigo, daqueles de disco, coisa bem rara nos dias de hoje…

8221-2315

…..

30/06/2010

Dos Mendigos e as noitadas

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 14:50

Hummm, aonde tem um orelhão? – Pensou Wilson – Ah sim! Tem aquele ali na esquina

As ruas estavam vazias, como é de praxe em “manhãs” de domingo.

Wilson não viu muitas pessoas no trajeto entre seu prédio e o orelhão que ficava na esquina do quarteirão de baixo.

Só falta ter alguém usando essa merda deste telefone… Putz, Ninguém usa orelhão hoje em dia… quanto mais em dia de domingo de manhã.

E contrariando TODAS as possibilidades impostas pelas leis de Murphy, o orelhão não estava ocupado quando Wilson o avistou.

Neste momento até apertou o passo para evitar qualquer possibilidade de ataque à Muphy, aquele grande homem que está sempre na espreita.

Maravilha!!! Agora é só pegar o telefone e…

Como não é comum andar com um cartão telefônico no bolso, Wilson começou a discar antes mesmo de colocar o fone no ouvido.

9 0 9 0 8 2 2 1 2 3 1 5

Silencio entre o fim da discagem e o inicio da chamada….

O telefone de Clara toca….

Alô – diz Clara ansiosa.

Oi minha filha… E ai? Já chegou na casa do Wilson?

Ah mãe… É você… – com um muxoxo de decepção.

Cheguei aqui, e estou há umas 2 horas tocando a companhia e nada de ele atender…. To começando a ficar preocupada.

Não se preocupe minha filha… Noticia ruim espalha rápido, mas isso não tá normal não. Faz assim, ele vai conseguir falar com você, vem pra casa pois tem almoço da sua avó!

É mesmo mãe… vou deixar um bilhete pra ele e já volto pra casa…

Este telefone público encontra-se fora de operação.

Foi a mensagem que Wilson escutou alguns segundos depois da discagem.

A explosão de ódio do rapaz se transformou num grito.

AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!! MERDA!!!!

E a existência de Murphy mais uma vez ficou comprovada.

Enquanto socava a proteção do orelhão, antes de parar para respirar e colocar a cabeça no lugar, um senhor se aproximou.

Está tudo bem rapaz? – Perguntou o homem.

PARECE ESTAR TUDO BEM? – Respondeu o jovem antes de se virar.

Não, mas eu precisava começar o dialogo com uma pergunta idiota pra que a primeira impressão não fosse de sou uma pessoa arrogante e intrometida.

Que cara maluco!! – Você é LOUCO? – Respondeu desta vez olhando para o homem.

Ele era negro, usava uma camisa que um dia havia sido branca, uma calça de moletom preta com alguns rasgos na altura do joelho e um tênis que também parecia ter muito tempo de uso.

Quem está gritando e socando as coisas aqui não sou eu.

Pior que ele tem razão… – Tá bem. Mas agora você está sendo arrogante e intrometido… MUITO intrometido.

Eu não disse que não era intrometido e arrogante, disse que não queria que você tivesse esta primeira impressão de mim.

Realmente. Ele é louco – INTROMETIDO! ARROGANTE e LOUCO! O que você quer? Uma moeda? Eu não tenho! – Metralhou Wilson ao homem que estava vestido como um mendigo mas que de fato não articulava como se fosse um.

Sem se abalar, o homem perguntou.

Meu nome é Cézar, e o seu?

Wilson – o que que eu estou fazendo??? Pra que eu falei meu nome?

Bom dia Wilson, eu não quero uma moeda, de fato, se eu tivesse uma daria ela pra você, já que você não tem, mas parece se importar tanto. Eu só queria checar se estava tudo bem. – Disse Cézar já virando as costas – Desculpe-me se te incomodei. Tenha um bom dia. – completou.

Puta que pariu, agora eu virei um desalmado que maltrata mendigos. – Eu que peço desculpas Cezar. Não estou tendo um dia bom só isso.

Bem… pelo menos é só UM dia não é mesmo? Vai passar.

FILHO DA Mãe! Quem é esse cara? – Tomara.

Você precisa conversar? Eu não estou fazendo nada. Se quiser pode me contar uma história… Isso é… Se você tem tempo.

Sem chances – AH, é uma longa história. Eu tenho que usar telefone – será que ele tem um… acho que não hein

Se você quiser me contar, eu sou todo ouvidos, por que não começa me contando com quem você tem que falar tão desesperadamente?

Que cara estranho… vou sair fora – Era com a minha namorada, ela deve estar louca comigo por que eu não consigo falar com ela…

Você não tem celular? – Interrompeu Cezar antes que a frase fosse concluida

Tenho, mas ele está sem bateria.

Olha! O eu também.

Você tem celular?

Tenho, mas ele também está sem bateria.

Pedindo celular emprestado a um mendigo…isso que da não fazer amizade com os vizinhos…vizinhos!!! COMO NÃO PENSEI NISSO ANTES!!! Vou pedir pra usar o telefone da dona Célia!! – Então Cézar, eu preciso ir… Vou pedir o telefone emprestado a minha vizinha! Foi um prazer falar com você.

A gente se fala… – despediu-se Cézar.

Wilson voltou correndo o mais rápido que pode para seu prédio, e mais uma vez subiu correndo as escadas só que desta vez quatro lances,

E chegou à porta da casa de sua vizinha Dona Célia.

Recuperou o fôlego… respirando fundo e então tocou a campainha enquanto dava o ultimo suspiro de quem estava antes ofegante.

Aguardou um tempo e então ouviu os passos vindo.

24/06/2010

Das noitadas e desencontros

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 12:35

Sem internet, sem celular, eu sabia que devia comprar um telefone fixo pra essa casa… mas o foda é que os planos são muito caros…

Já sei o que vou fazer, vou aproveitar que já estou até vestido e vou ali no orelhão ligar para a Clara… mas se bem que… como que eu ligo pra ela e pergunto

E ai? O que eu fiz ontem a noite?

Impossível.

MERDA!!!!! – Gritou Wilson como um desabafo.

Neste momento sua cabeça já estava funcionando melhor e ele já conseguia raciocinar de maneira mais clara…

Por falar em Clara….

- Mãe, eu vou lá na casa do Wilson então. Beijos.

- Beijos minha filha boa sorte.

De volta ao nosso bravo herói desmemoriado:

O que será que eu fiz ontem meu Deus… não me lembro de absolutamente nada… liguei para Clara, tomei o meu banho… me arrumei…

E não me lembro de mais nada!!!

Quer saber, vou lá no orelhão ligar para Clarinha, ela já deve estar preocupada… e eu não me lembro de tê-la encontrado ontem.

Desceu os 3 lances de escada correndo, afinal estranhamente não se sentia mal (o que normalmente acontecia quando acordava de ressaca).

Olá dona Célia tudo bem? – Disse cumprimentando uma senhora que esperava o elevador…ela devia ter por volta de uns 60 anos e morava sozinha em cima do seu apartamento.

Tudo bem, e com você Wilson? – ao mesmo tempo que pensava: esse menino é muito bom… mas aprontou uma barulhada ontem na casa dele…

Graças a Deus estou…

Disse já saindo correndo pela porta, quando ouviu Célia chamá-lo novamente:

E a festinha na sua casa ontem? Como foi?

FESTINHA???? PUTA QUE PARIU!!!! – Foi ótima dona Célia… eu te incomodei muito?

Não… foi um pouco diferente, afinal você não costuma fazer festas…

CARAAAALHHHOOO!!!! – Sim… mas o pessoal estava falando muito alto?

Não… até que não, o problema foi só o som tocando a noite inteira… vocês estavam até quietinhos tirando isto…

Som alto? Quem será que veio aqui em casa? – Me desculpe dona Célia, isto não vai acontecer novamente.

Tudo bem meu filho… mande um beijo para sua mãe, e quando ela vier te visitar pede pra ela passar lá em casa tá? – Disse ela já dentro do elevador.

Claro Claro – Confirmou Wilson já correndo de volta para a escada.

Vou ver a bagunça que o pessoal deixou…

Ao entrar novamente em casa, não reparou nada demais, toda a bagunça estava normal.

Olhou, viu um bolo de papeis espalhados em cima da mesa, alguns pares de meias jogadas perto do sofá

É, ali estão as outras meias que estavam faltando… odeio meias!

Ao verificar que não havia nenhuma bagunça incomum em sua casa, Wilson resolveu novamente procurar o orelhão e se dirigiu à escada…

eu ODEIO ficar esperando elevador.

E desceu rapidamente da mesma forma que havia feito pouco antes…

Pode deixar aberta por favor, disse Clara a um rapaz que saia do prédio.

Que bom, pois assim o elevador ainda vai estar ali me esperando.

Clara apertou o numero 3 no mesmo momento em que Wilson passou correndo pela portaria.

Preciso falar com a Clara logo! Pensou Wilson.

22/06/2010

Clara e as noitadas

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 10:38

Mas livrai-nos do mal, Amém.

Falou a garota enquanto se levantava após rezar na igreja.

Eu não acredito que ele fez isso! Eu não acredito! Deus por favor me dê calma

Era Clara, pedindo forças a Deus após ter passado a noite de sábado em casa após ter levado um bolo de seu namorado Wilson.

O que está te afligindo Clara? – Perguntou uma senhora gorda que estava sentada ao lado e percebeu sua expressão extremamente carregada.

Nada não tia! Nada não! – respondeu impaciente.

Cretino! Eu acabo com ele! E ainda por cima desliga o celular! Fiquei ontem igual uma trouxa esperando por ele!

Se fosse pra fazer isso seria melhor nem ter combinado! Aposto que ele saiu com os amigos desligou o celular, encheu a cara e deve estar acordando agora na cama de alguma mocreia por ai.

Gostaria de avisar a todos que o Bazar beneficente vai se realizar no sabado que vem então venham e tragam mais pessoas, quanto mais vendermos mais iremos ajudar as crianças – Falou o padre nos avisos do final da missa.

Clara já saiu impaciente com o celular na mao, tentando mais uma vez ligar para Wilson

“O número discado encontra-se fora de área ou desligado”

FILHO DA MÃE!!!! Ele vai ver comigo!! Espero que ele pelo menos se lembre que hoje é o almoço de aniversário de 80 anos da minha avó!

Se ele não der as caras vai estar TUDO acabado!

Ao chegar em casa, Clara passou direto por sua mãe que estava tomando café na mesa da cozinha.

Ei Ei Ei mocinha! Aonde vai com tanta pressa? Vem aqui dar um beijo na sua mãe!

Desculpa mãe, estou meio puta.

Mas que boquinha em Clara!!!

Desculpa mãe, eu estou meio nervosa – Corrigiu Clara virando seus grandes olhos azuis)

O que está te deixando assim minha filha?

Ah mãe, é o Wilson…

O Wilson? – Interrompeu Joyce – ele é um menino tão bom! O que foi que ele fez?

Pois é mãe, ele sumiu desde ontem. Me ligou e combinou de encontrar comigo, me deixou plantada aqui ontem a noite inteira! E ainda por cima desligou o celular!!!

Que isso minha filha, será que não aconteceu alguma coisa?

Lógico que aconteceu alguma coisa! No mínimo ele saiu com os amigos e me deixou pra trás.

Minha filha, presta atenção no que você está falando!! Vocês já namoram a uns 5 anos

2 anos mãe… – Corrigiu Clara

Que seja, 2 anos de namoro alguma vez ele fez algo pra você pensar isso dele?

Pode ser que aconteceu alguma coisa com ele e você tá ai pensando que ele fez o pior… que tal você dar uma passada na casa dele e ver se está tudo bem?

Nossa mãe credo, assim você está me deixando preocupada!

Uai, você é que está cheia de minhocas na cabeça sem nem ter tentado apurar o que realmente aconteceu.

… vou para o meu quarto.

Vai lá e pensa nisso tudo…

Obrigado mãe.

Que isso minha filha não foi nada.

Ai meu Deus, será que eu pensei mal do meu namorado atoa? Realmente minha mãe tem razão e se aconteceu alguma coisa… vou tomar um banho e passo lá. Mas se ele tiver aprontado ele vai ver comigo!!!

21/06/2010

Wilson e as noitadas

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 15:33

O sol passava pela janela do quarto e batia direto no rosto do rapaz que aparentava ter por volta de uns 20 anos.

- Puta merda! (foi o primeiro pensamento que passou pela sua cabeça) Não acredito que o sol já nasceu.(esse foi o segundo)

E então ele tentou virar pro lado e continuar seu sono.

Sem sucesso, seus braços doíam a cada virada que ele dava.

- Não acredito! Não acredito – Repetiu Wilson desta vez em voz alta.

Não me lembro de ter ido dormir

E olhando em volta reparou que havia dormido completamente torto, devido a todas as roupas usadas que estavam em cima de sua cama.

É. Disso eu me lembro, aquela calça eu usei na terça, esta blusa na quinta…

Aquela cueca ali do lado da cama? Huumm, usei ontem… ontem era sábado… então hoje é domingo…

Muito bom já sei de alguma coisa, e pelo menos não estou atrasado…

Pelo menos tem um tempo que eu não vou à missa…

Acho que devia voltar a freqüentar a igreja, quem sabe assim eu acordaria nas manhas de domingo me lembrando como foi a noite de sábado…

- Puta MERDA! Eu dormi de tênis!

Realmente a noitada deve ter sido boa

Mas o que foi mesmo que eu fiz?

Huumm… com certeza houve bebedeira

Nossa, uma vez li num blog de um cara que leu na superinteressante que a amnésia alcoólica é irreversível, ou seja, nós realmente não conseguimos nos lembrar do que fazemos quando bebemos mesmo se nos esforçarmos muito…

Deve ter sido isso que aconteceu…

Já calçado, e com a roupa do dia anterior, Wilson se levanta e vai até a cozinha de seu pequeno apartamento.

Abre a geladeira e percebe que tem apenas duas opções…

Água (diversas garrafas de água mineral reutilizadas) e pizza (dois pedaços remanescentes do meio da semana).

Huumm quero um de cada!!

Pensou enquanto pegava um pedaço da pizza e uma garrafa d’água, ambos gelados.

Como eu queria um café!! Mas isso vai me dar um trabalho de fazer!

De qualquer forma, preciso me recompor antes de tentar descobrir o que eu fiz ontem.

Já sei! Meu celular!

E voltou correndo para o seu quarto deixando a garrafa d’água pela metade em cima da pia junto com diversas outras. E a pizza em um prato que aparentemente já havia sido usado para servir outro pedaço de pizza.

Olhou em cima da mesa do computador.

Procurou em cima da cama, em baixo do travesseiro, no meio das cobertas.

Embaixo da cueca que estava ao lado da cama.

Puta merda, alem de não lembrar o que eu fiz ontem, ainda perdi meu celular

Será que fui roubado? Hummm.. no caso teria sido um assalto, pois o ladrão não quis nem levar o meu Tênis

- Se bem que…Isso já aconteceu antes!

E num momento puxou a cama de lado revelando varias peças de roupa!

Nossa eu pensei que tinha perdido esta blusa- pensou enquanto pegava uma camisa preta com detalhes vermelhos.

Hummm… agora entendo por que estou ficando sem meias! Todas elas estão aqui…

E a medida que retirava as peças e se surpreendia pois pensava tê-las perdido Wilson as arremessava para o meio do quarto aumentando ainda mais a pilha de roupas jogadas pelo chão.

Voilà! Gritou quando encontrou o celular!

Devia estar no meu bolso e durante a noite caiu aqui… Lembro do dia que cheguei atrasado no serviço por que o celular caiu aqui atrás e soltou a bateria…

Agora é só ligar o celular e… QUE MERDA!!!! A Bateria Acabou!…

Tudo bem é tudo muito simples, basta eu pegar o carreg…

MERDA!

Por que eu fui deixar o carregador no serviço? Eu moro é nesta casa não lá!! De qualquer jeito, a bateria sempre dura, então eu realmente devo ter falado muito no celular…

Vou entrar na internet e tentar descobrir!

E ao ligar o computador, viu pela primeira vez no dia que horas eram, não passava das 9:00

Caralho!!! Domingo 9:00 e eu to acordado depois de uma noitada que eu nem lembro do que se trata… realmente eu devo estar com algum problema!

Vamos ver, qual é a ultima coisa que eu me lembro?

Era a tarde…

Eu liguei pra Clara, combinamos de nos ver…

· O MSN Não pode conectar, clique aqui caso queira saber mais informações

MERDA!!!!!

Continua (…)

04/05/2010

Da Mediocridade da vida

Filed under: Viagem — Joubert Thomson @ 11:30

Bom dia Leitor.

Tudo bem com você?

Espero que sim.

Estou aqui hoje para falar de um tema muito complexo (UAU JURA?)

Sim, vou falar sobre a mediocridade na nossa vida.

Como já dizia Móveis Coloniais de Acaju,

Mediocridade, eu sei o quanto sinto saudade.

De um tempo que eu me achava esperto…

De um tempo que eu esperava dar certo…

De um tempo que eu me achava…”

Mas como assim?

Ontem estava conversando com uma amiga, _Nanaty, e ela estava reclamando por estar se sentindo desmotivada em seu curso,

Sem saber se estava fazendo o curso certo e por isto, tinha medo de ser apenas uma profissional meia boca, que não consegue ler a revista exame semanalmente,

e que não sabe de TODAS as transações de pedras preciosas de países que meros mortais como eu (ou você) sequer sabemos que existem.

Eu compartilho do ponto de vista dela, de que não adianta ser um estudante meia boca, que consegue compreender, responder e se dar bem nas provas, tirando sempre uma nota entre 60 e 80%

Seguindo o raciocínio de que:

“Bem, sem estudar eu estou tirando notas assim, imagina se estudasse?”

E isso remete diretamente à auto-enganação e à teoria de que é melhor não se envolver demais com as coisas para não se frustrar depois.

Por isto, apesar de saber que ela estava passando apenas por uma crise de T.P.M., eu pensei bastante sobre este assunto e conclui o seguinte:

Sim, nós seres humanos normalmente passamos por fases de mediocridade, mas esta fase dura só até percebermos isto (exceto se a pessoa realmente for uma acomodada, ou que perceba que aquilo realmente não é uma coisa que a atrai).

E por isso Nanaty, eu te falo: Agora que você percebeu isto, é só ter força de vontade e caso realmente queira isso para poder ganhar dinheiro e comprar todos os seus apetrechos e maquiagens importadas METE AS CARAS, por que capaz você é!

E isso serve para a maioria das pessoas.

Enfim, eu queria ser como o Tyler Durden em o Clube da Luta.

Tem uma cena no filme que é extremamente forte e é mais ou menos assim (muito mais ou menos mesmo).

Tyler invade uma loja de conveniências, tira o atendente e o leva para os fundos da loja.

Ele o coloca de joelhos no chão, aponta uma arma para a sua cabeça e pergunta:

[Tyler] – O que você quer fazer da sua vida?

[Atendente] – ….

[Tyler] – Obviamente seu sonho de infância nunca foi ser um atendente de uma loja de conveniências. O QUE VOCÊ QUER FAZER DA SUA VIDA?

[Atendente] – Eu gostaria de ser veterinário… Estava estudando mas larguei…

[Tyler] – E por que você largou?

[Atendente] – … não sei …

[Tyler] – Engatilhando o Revolver.

[Atendente] – Pelo AMOR DE DEUS NÃO ME MATE.

[Tyler] – Pra que você quer viver? Você não está cumprindo as coisas que você mesmo propôs para si.

[Atendente] – Eu não posso morrer…só quero ir para casa…

[Tyler] – Raymond Hessel, – Disse Tayler, ao checar a carteira de motorista – você vai embora agora, e amanha a primeira coisa que vai fazer é continuar estudando para ser um veterinário.

Você vai ver como o seu jantar vai ser o mais saboroso de todos os tempos, você vai ver como amanha será o dia mais bonito do resto da sua vida. Então vá e seja um veterinário.

[Tyler] – Eu tenho sem endereço, tenho seu nome e vou ficar de olho em você, em três meses vou te procurar, em seis meses eu vou te procurar, em um ano eu vou te procurar e se você não estiver se esforçando para ser um veterinário, você vai estar morto.

Então Raymond é liberado e vai embora. Tyler guarda sua carteira e então mostra o revolver sem nenhuma bala e com um sorriso maroto (que lhe é peculiar) completa:

[Tyler] – Missão Cumprida.

Óbvio que esta cena eu puxei da minha recordação e com certeza ela não é só isso, o dialogo é muito mais rico e profundo, mas eu acho que deu pra visualizar né?

Não precisamos de coisas extremas assim para acordarmos para a nossa vida e corrermos atrás de nossos sonhos…

É… bem, acho que ao invés de ser um Tyler, eu estou precisando de algo que desencadeie este movimento…

Então é isso

Hasta La vista.

01/02/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 7 – Final

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:02

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Completamente desengonçado e sujo de barro, o João ressurgiu das cinzas… ou seria do barro?

Afinal o que havia acontecido com ele que ficou desaparecido por tanto tempo?

[João] – ah velho, eu fui mijar perto de um rio ali em baixo, e acho que cai, fiquei com preguiça de levantar e fiquei um tempo deitado… assim, é isso que eu acho…

[Jow] – Nossa João! Só você mesmo!

Não entrei em muitos detalhes pois estava doido para voltar pra casa e contar pro pessoal que eu realmente tinha ganhado mais dinheiro!

Quando chegamos todos estavam na cozinha.

[Jow] – Eu falei que ia ganhar dinheiro!!!

E contei a história dos gringos…

O pessoal ficou meio sem entender e sem acreditar.

Mas graças a Deus a Babs tava comigo e confirmou tudo que eu falei!

Eu ainda estava empolgado.

Então falei:

“Vou ganhar mais dinheiro!!!”

Mas para isso precisaria continuar usando o chapéu de cafetão.

Quando falei isso, o pessoal me elegeu para ir comprar pão para podermos comer com moela que estava sendo feita.

Lógico que eu não iria perder a oportunidade de dar mais uma volta pelas ruas lotadas de Ouro Preto.

Desta vez a Babs não quis ir comigo.

Sai por ai, sem saber onde ficava a padaria, tentei me informar e fiquei sabendo que havia uma perto de uma fonte que ficava há alguns quarteirões de distancia.

Fui sem problemas, cheguei comprei uns 15 pães com meus lucros de carnaval, e na volta pra casa vi uma cena extremamente desagradável.

Dois caras, que deviam ter uns 19 anos, vestidos com o abadas azuis do mesmo bloco que eu havia comprado pra gringa. Os dois espatifados no chão no meio rua.

Já estive mal, mas nunca havia ficado jogado assim (não que eu me lembre), então fui oferecer ajuda.

Os dois pareciam mortos então cheguei perto e falei

[Jow] – Velho… esta tudo bem com vocês?

[Bêbado 1] – ….

[Bêbado 2] – Sai fora veio, eu to cuidando do meu amigo aqui.

Não ele não estava, na verdade ele estava escornado em cima do outro.

[Jow] – Bêbado 2, você esta bem, mas parece que seu amigo não está muito bom.

O cara estava deitado no chão com os olhos virados e eu pensando que ele tinha até morrido.

Cutuquei ele mais algumas vezes e ele não me respondeu.

Então ajudei o amigo dele a levantar e falei

[Jow] – olha só cara, você não esta muito bem também, aceita um pão?

[Bêbado 2] – Quero sim.

Dei um pão puro pra ele e ele começou a destroçar o pão de tanta fome.

Enquanto ele fazia isso fui tentar ajudar o outro bêbado.

Na verdade não sabia por onde começar então saquei meu celular e liguei para o 192, SAMU.

Eu sabia que eles não iam poder se deslocar até lá para ajudá-lo mas pelo menos poderiam me dar as instruções.

[Jow] – Boa tarde, estou com um problema.

[Atendente do SAMU] – Boa tarde, qual seu problema?

[Jow] – Estou passando aqui na rua…. não sei o nome da rua, mas fica num morro… perto de uma igreja… e de uma fonte… e tem um cara parece que morto.

[Atendente do SAMU] – Hum… um morro, uma igreja e uma fonte… é realmente acho que você esta em Ouro Preto. Mas este cara está mal de que?

[Jow] – Parece que ele bebeu demais.

[Atendente do SAMU] – Bebeu demais… nós não podemos ajudar pois existem muitos chamados deste aqui no carnaval.

[Jow] – Sim eu sei, mas preciso de ajuda pra ajudá-lo.

[Atendente do SAMU] – Pois não, ele está consciente?

[Jow] – Ele esta com os olhos abertos.

[Atendente do SAMU] – mas ele está respondendo?

[Jow] – Um minuto.

{Jow para o Bêbado 1}

Quando olhei para o cara, o amigo bêbado dele estava socando pão na boca dele! Pão SECO!! Pra um cara que estava inconsciente!

[JOW] – VELHO O QUE VOCE TA FAZENDO? VOCE VAI MATAR O CARA!

[BEBADO 2] – EU TO CUIDANDO DO MEU AMIGO!

[JOW] – CUIDANDO O CARALHO VOCE VAI É MATAR O CARA ENGASGADO! SAI FORA DAQUI! (O CARA ERA GRANDE. E EU NÃO SEI DE ONDE SURGIU TANTA CORAGEM)

[BEBADO 2] – AH VELHO, EU SÓ QUERIA AJUDAR… ME DESCULPA

[JOW] – AJUDA QUIETO, SENTA ALI EU TO CONVERSANDO COM O SAMU, SE PRECISAR DA SUA AJUDA EU TE PEÇO OK?

[BEBADO 2] – OK.

{JOW para bêbado 1}

[Jow] – Velho, você ta bem?

[Bêbado 1] – ….

[Jow] – Velho fala comigo!!!

[Bêbado 1] – ….

[Jow] – EU comi a sua mãe, aquela vadia!

[Bêbado 1] – ….

Então dei uns tapas na cara dele… e nada!

{Jow para atendente do SAMU}

[Jow] – Moça, ele não esta respondendo.

[Atendente do SAMU] – ok, aonde exatamente ele esta?

[Jow] – Deitado na rua.

[Atendente do SAMU] – então primeiro de tudo, coloca ele no passeio.

{Jow para bêbado 2}

[Jow] – Ajuda aqui velho, vamos colocar ele no passeio.

Então colocamos o cara sentado no passeio.

{Jow para atendente do SAMU}

[Jow] – Pronto, e agora?

[Atendente do SAMU] – Ele ainda não esta respondendo né?

[Jow] – Não.

[Atendente do SAMU] – Então faça ele te responder. Quando ele estiver fazendo isso, dê açúcar para ele. Não dê água, ele pode engasgar.

[Jow] – Ok, mas como eu vou fazer ele responder?

[Atendente do SAMU] – Balança ele! Chacoalha o cara, bate nele.

[Jow] – Com prazer! Muito obrigado e feliz fim de carnaval pra você,

[Atendente do SAMU] – Disponha sempre. E pra você também.

{Jow para bêbado 2}

[Jow] – Olha só velho, vá arrumar açúcar para seu amigo! Enquanto isso eu acordo ele.

O cara sentado escorado na parede toda mijada, e eu lá na sua frente, gritando com ele, chacoalhando e batendo nele… quando de repente.

[Bêbado 1] – Ai… que isso?

[Jow] – AEEEEEEE!! Você acordou!!!

Nisso o amigo bêbado 2 chegou com um copo descartável cheio de açúcar.

Demos o açúcar pra ele, ele começou a se recompor. Ofereci um pão pra ele, que foi muito bem vindo. Antes que perguntasse pela segunda vez quem eu era eu resolvi ir embora.

(principalmente se ele lembrasse de todos os tapas e xingamentos a ele e a sua mãe)

Estava descendo a rua com o chapéu de cafetão, e um saco de pães com 13 pães e o ego nas alturas por estar me divertindo tanto em um carnaval!

Voltei para casa, expliquei por que havia demorado tanto para voltar com os pães, afinal, a esta altura todos estavam comendo moela direto no prato… Pão? Para que?

Jantamos, vaguei por ouro preto à noite. Sozinho acho que perdi de todo mundo ou não sei.

Mas fui procurar a tal de Azorra.

Um indivíduo de bom coração me vendeu o ingresso dele por 2 reais, e o papelzinho era tão fuleiro, mas tão fuleiro que eu pensei até que tinha tomado o cano.

Mas de qualquer forma, mesmo com o ingresso na mão eu ainda não conseguia encontrar o tal lugar chamado Azorra.

Até perguntar a uma outra pessoa aletatória:

[Jow] – Ei você, sabe aonde fica a república A zorra?

[Mr. Random] – Olha, não conheço nenhuma república chamada A zorra aqui em Ouro Preto não.

[Jow] – Ai Meu Deus! Sério?

[Mr. Random] – Sim, mas olha só, eu ACHO que está rolando o show de uma banda chamada AZORRA lá no espaço Folia!

[Jow] – Humm… Então é isso… Obrigado…

Mas que diabos de banda era erra? Por que eu nunca tinha ouvido falar dela?

Sozinho numa cidade diferente tentando encontrar uma banda que eu desconhecia a existencia… Ah… tudo bem, pelo menos os pneus estavam inteiros!

Entrei no espaço folia. Já estava escuro. O espaço folia era como se fosse um campo de futebol, cheio de barro (ao invés de grama) e LOTADO de pessoas.

Dei duas (ou mais, na verdade não me lembro quanto tempo fiquei lá dentro) voltas dentro do lugar. Nenhum, absolutamente nenhum rosto conhecido, decidi então voltar para a república que estávamos no dia anterior onde só tocava Raul Seixas.

Desta vez não agüentei ficar lá até muito tarde, fui pra casa cedo e tinha bastante gente lá. Conheci a Isabella a outra dona da casa, ela trabalhava numa joalheria e precisava trabalhar no outro dia cedo por isto estava em casa.

Ela me contou que voltar de ônibus de Ouro preto na quarta feira de cinzas era tipo uma missão impossível.

E realmente seria, afinal nada no meu carnaval era fácil.

Principalmente por que eu não tinha mais o meu poderoso chapéu de cafetão… Que na verdade nunca tinha sido meu, era só emprestado.

Na Quarta Feira de cinzas pela manha, a primeira coisa que eu e o João fomos fazer foi verificar se encontrávamos alguma passagem.

E adivinhem?

NADA!

Eu tinha que estar em casa na quarta feira de cinzas pois iria começar no meu novo emprego na Quinta-Feira de Cinzas…

Fomos obrigados a apelar mais uma vez para o transporte ilegal,

O trajeto de volta foi tranqüilo, acho que até dormi no Fiat Uno com mais 4 outras pessoas cheias de histórias.

Na volta pra casa não deu pra parar na estátua do Cristo Redentor de pedra sabão para dar um abraço e agradecer por ter sobrevivido a mais meio carnaval, mas dei tchau e disse até o ano que vem…

Mas infelizmente eu não poderia ir à Ouro Preto no Carnaval de 2009… mas isso como você já deve saber, é uma outra história…

Quem sabe no fim não dê um livro?

29/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 6

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:50

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Estávamos voltando para casa, fazendo o mesmo caminho da vinda após ganhar dinheiro, ver o show, conhecer o Frederico, tirar fotos com o trem, enfim, nos divertimos demais! E quando chegamos em casa eu olhei pra Babs, a Babs olhou pra mim e nós nos perguntamos

CADE O JOÃO????

É obvio que eu pensei:

Será que ele foi preso de novo?? Mas infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer agora. Ele era maior, vacinado e sabia o caminho de casa, se em 48 horas ele não aparecesse, eu mandaria a policia atrás dele.

Cheguei em casa radiante! Afinal vi que era possível lucrar algo!

Quando chegamos em casa, eu comecei a conhecer o pessoal, afinal só conhecia a Evelyn, e o Renato e havia conhecido na noite passada a Camila e a Lud, o resto do pessoal permanecia uma incógnita pra mim.

Todos estavam na cozinha, e eu já cheguei esparrando!

[Babs] – Pessoal esse é o Gilberto

[Jow] – Opa Galera!

[Galera] – Opa Gilberto!

[Jow] – Vocês não vão acreditar! Eu acabei de ganhar dinheiro!!! E querem saber! Vou ganhar mais dinheiro querem ver?!

[Galera com cara de ham? Esse cara é doido] – uhum.

Nessa hora tinha na cozinha um cara chamado Mário que estava usando um Chapéu Panamá. Então tive a brilhante idéia!

[Jow] – Ei Mário, me empresta este chapéu de cafetão que você ta usando!

[Mário] – Eu não você ta doido?

[Jow] – Por favor velho! Eu preciso deste chapéu emprestado pra poder ganhar mais dinheiro!

[Mário] – Aff, tudo bem toma aqui!

Pronto munido do meu chapéu de cafetão soltei a celebre frase!

[Jow] – Vou lá na rua vender as mulheres desta casa! Quem quer ser vendida?

… (silencio geral)

[Babs] – Vamos lá jow jow eu vou com você!

Munido de meu belo chapéu de cafetão e a minha garrafa de Catuaba saímos eu e Babs!

Então, antes mesmo de descermos do passeio da casa dela, ela diz:

[Babs]- Olha lá! Me vende para aqueles gringos que estão descendo ali!

Era um grupo de dois casais que eu sinceramente não sabia como ela havia percebido serem gringos por dois motivos

1 – Estavam muito longe

2 – Não pareciam ser gringos. (Aliás, pareciam mas eu não estava enxergando nada)

De qualquer forma não pestanejei para abrir os braços e gritar

HELLO!!! HOW ARE YOU!?!?!

[Gringa] – Oh I’m Fine and you?

[Jow] – Good!!!

Disso, entrosamos rapidamente, eu e Babs, Babs e eu arranhando no inglês novamente!

Descobri que eles haviam vindo de Pittsburg, norte dos EUA, quase no Canadá. Inclusive depois de um tempo fui descobrir que era a terra do meu antigo chefe John Devore, que acabou de tornando um grande amigo (pelo menos assim eu o considero).

A parte comédia desta conversa foi eu oferecendo à mulher um gole da minha catuaba! E ela recusando

[Jow] – Do you want some? (Aceita um pouco?) eu disse bebericando a garrafa

[Gringa] – What is this? (O que é isso?)

[Jow] – Oh.. this is… how can I say? I know! This is WILD WINE… AHHAHAHAAH (humm.. isso é… como dizer? Já sei! Isto é Vinho Selvagem…)

[depois disso eu morri de rir do nome que eu havia dado
para catuaba... Mas que foi bem interessante]

[Gringa] – Humm… thank you, I’ll skip this (Huumm… Obrigado, vou pular esta)

[Jow] – No? Come on it is really good! (Não? Que isso! É muito bom!)

[Gringa] – Appreciate (Agradecida)

[Jow] – Ok…

[Gringa] – But you may help me with something else. (mas voce pode me ajudar com outra coisa)

[Jow] – Really?? What do you want? (sério? O que?)

[Gringa] – I want to buy one of these blue shirts that everyone is using, you know as a souvenir

[Jow] – OH! Easy come with me.

Enquanto isso a Babs estava trocando altas idéias com os outros gringos, eram realmente dois casais mais velhos que haviam ido passar o carnaval em OP, e estavam se divertindo horrores.

Levei a Gringa que queria uma camisa do bloco para a porta de onde estava tendo a movimentação do bloco.

[Jow] – EI CARA! QUANTO TÁ PRA ENTRAR?

[Porteiro do Bloco] – 25 reais pra entrar.

[Jow] – E SE EU QUISER SÓ A CAMISA QUANTO É?

[Porteiro do Bloco] – Não vendemos só a camisa!

[Jow] – DEIXA EU TE EXPLICAR TEM UMA AMIGA MINHA QUE VEIO DOS EUA, E ELA GOSTOU DA CAMISA, TAVA QUERENDO LEVAR UMA DE RECORDAÇÃO, NÃO TEM COMO VENDER SÓ ELA?

[Porteiro do Bloco] – Infelizmente não.

[Jow] – NÃO TEM NINGUEM COM QUEM EU POSSA CONVERSAR PRA TENTAR ARRUMAR?

[Porteiro do Bloco] – Tenta falar com ele ali.

[Outro cara do Bloco] – Pois não?

[Jow] – TEM UMA AMIGA MINHA QUE VEIO DOS EUA, E ELA GOSTOU DA CAMISA, TAVA QUERENDO LEVAR UMA DE RECORDAÇÃO, NÃO TEM COMO VENDER SÓ ELA?

[Outro cara do Bloco] – Ela não quer entrar? Só quer a camisa?

[Jow] – Não, ela só quer levar a camisa pra casa como recordação

[Outro cara do Bloco] – Ah cara é difícil…

[Jow] – Poxa! Pensa só seu bloco vai ficar conhecido internacionalmente, ela vai levar a sua camisa pros Estados Unidos! Você vai deixar passar esta oportunidade

[Outro cara do Bloco] – hummm…

[Jow] – Sem contar que hoje já é terça feira a tarde, amanha acabou carnaval e você vai ficar com as blusas encalhadas ai…

[Outro cada do Bloco] – Ta bom! 10 reais!

[Jow] – Valeu!!

[Jow para a Gringa] – Moça! R$10,00 (confesso que fiquei tentado a falar que era mais)

[Gringa] – OK, e sacou uma nota de R$20,00

Paguei o cara e peguei o troco.

Entreguei a camisa e o troco pra ela.

E ela falou

[Gringa] – Keep the change (Fique com o troco)

[Jow] – Humm, Thank you (OBRIGADO)

Ahhaha pronto! Havia cumprido a minha promessa sem nem ter tentado fazer!

Ganhei mais dinheiro de brinde!

Não precisei vender a minha amiga e todos estavam felizes!

Eu tinha mais dinheiro, a gringa tinha a camisa do bloco e tudo estava certo!

Voltei a seguir o meu caminho conversando com a gringa estávamos descendo um morro quando ela virou pra mim e falou

[Gringa] – Can I have some of your wild wine? (posso beber um pouco do seu vinho selvagem?)

[Jow] – Of Course!! (Claro!)

E ela bebeu um pouco da catuaba!

[Gringa] – huuuum, it is good! And strong! (huumm… é bom! E Forte!)

[Jow] – No it is not strong! You need to drink cachaça and then you will know what a strong drink is. (Não. Não é forte! Você precisa beber cachaça, e ai você vai saber o que é uma bebida forte)

[Gringa] – Do you accept one of my cigarettes? (Você aceita um cigarro?)

[Jow] – No thanks, but Let me see the Pack? (não, obrigado. Mas deixa eu ver o maço?)

[Gringa] – Of course!

Era um maço verde, com um índio desenhado, não me lembro qual era a marca, mas o indiozinho parecia aquele do desenho do pica-pau. Então ela começou a explicar

[Gringa] – These cigarettes were handmade by the Indians of my country (Este cigarro foi feito manualmente pelos índios do meu país). The government stimulates them to produce their own products and have a decent life. (o governo os estimula a produzir seus proprios produtos e a terem uma vida decente)

[Jow] – Oh, Yes, the Indians here Just sells their necklaces and their souls, by taking pictures.(a sim, os indios aqui só vendem colares e suas almas… tirando fotos.) I don’t remember seeing any government stimulation. (nao me lembro de ter visto algum programa de estimulação do governo.)

[Gringa] – Bad. They should have a more dignified way to survive.. Can I have more Wild wine? (Isso é mal, eles deveriam ter uma maneira mais digna de sobrevivência… Posso beber mais um pouco do seu vinho selvagem??)

[Jow] – Concordo, e claro que pode beber.

[Gringa] – Well. This is it Joubert (Bem é isso Joubert) (eu tinha falado meu nome pra ela, mas não me lembro do nome dela.) It was Nice to meet you, Good luck for you (foi um prazer te conhecer, boa sorte pra você)

[Jow] – It was Nice to meet you tôo (foi um prazer te conhecer também) have a end of carnaval (Tenha um bom fim de carnaval)

Quando eu iria imaginar que acabaria sendo representante de gringos para comprar alguma coisa aqui no meio do carnaval! Como sempre eu ia me surpreendendo.

Também nunca imaginei ter uma discussão sobre a vida indígena no Brasil e EUA no meio desta data.

Ficamos eu e Babs deslumbrados por termos conhecidos pessoas estrangeiras tão simpáticas. E enquanto falávamos isso, vimos um individuo subindo a rua. E adivinhe quem era?

João! Ele havia ressurgido das cinzas e estava com a roupa meio suja de barro. Quer saber o que aconteceu com ele?

;) então volte na segunda que eu conto o resto. ;)

Parte 7 – Final

27/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 5

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 10:16

Ouro Preto – Terça Feira

Eu estava pobre, fudido e mal dormido.

Mas ainda tinha amigos e era isso que importava.

Tinha 20 reais no meu bolso e um cartão de débito. Só a passagem de volta custava R$25,00 logo eu iria precisar usar os fundos para poder voltar pra casa, mas de qualquer forma, ainda tinha que beber, comer e me divertir antes de fazer isto.

Mesmo não tendo ânimo algum para tal.

Então o João descobriu que iria ter um show da banda “Velhas Virgens” no Espaço Folia. E decidiu que era pra lá que nós deveríamos ir.

Abandonamos todos na casa e fomos eu, ele e Babs.

Como já disse acima, eu estava quebrado, fudido e mal pago até o momento que iria mudar todo o meu carnaval.

Chegamos à porta do espaço folia e fomos olhar o preço do ingresso para o show… R$30,00, ou seja, inviável para mim.

Decidimos então comprar umas cervejas e ficar parados na porta do show.

Quando de repente, duas meninas se aproximaram e dirigiram a palavra a mim.

[...] – Oiem, tudo bemm?

[Jow] – Beleza e você?

(Pelo sotaque percebi na hora que ela era carioca)

[Menina carioca] – Também

[Jow] – …

[Menina carioca] – Seguinte, eu e a minha amiga aqui

[eu já sei o que vocês estão pensando, eu pensei o mesmo]

[Jow com os olhos brilhando] – Sim… Você e sua amiga ai…?

[Menina carioca] – Eu e minha amiga aqui estamos querendo…

[Jow com os olhos brilhando] – Sim… Você e sua amiga ai, estão querendo…?

[Menina carioca] – Eu e minha amiga aqui estamos querendo vender os nossos abadas para este show…

[Jow com planos frustrados] – hummm… e quando você ta querendo?

[Menina carioca] – é por que nós mudamos de idéia e não queremos ir a este show, então vamos vender os abadas pra beber.

[Jow com uma lâmpada em cima da cabeça] – Tá uai, mas quanto você quer?

[Menina carioca] – Eles estão vendendo por R$30,00 ali na porta, então se você me der R$20,00 em cada ta bom. O que acha?

[Jow pensando na notinha de R$20,00 que estava no bolso] – R$20,00 ? em cada um?

[Menina carioca] – Sim R$40,00 nos dois.

[Jow maquiavélico] – Você ta ficando doida? Nunca vai conseguir vender assim!

[Menina carioca] – Como assim? O preço ta super justo… quanto você quer pagar nos dois?

[Jow blefando] – Eu pago R$20,00 nos dois.

[Menina carioca] – R$20? Assim não dá. Não rola

[Jow blefando] – Ah, tudo bem, R$25,00

[Menina carioca] – Não sem chances. Obrigado

[Jow Frustrado] – ah, ok…

[Jow blefando] – Boa sorte com as suas vendas, se não conseguir vender, e eu acho que não vai por que o show já vai começar, volta aqui que eu pago R$20,00 neles.

E antes de terminar isso ela já foi embora.

O João e a Babs estavam conversando e viram a movimentação e vieram perguntar o que era. E eu contei da minha negociação frustrada.

Decidimos não dar mais idéia pra isto e continuamos bebendo e conversando, quando de repente a menina carioca volta.

[Menina carioca] – Tudo bem, R$25,00.

[Jow] – João me empresta R$5,00 URGENTE!

Peguei o dinheiro emprestado e paguei a menina que virou as costas e foi embora pensando (furei os olhos desse mineiro)

Mal sabia ela que eu também estava pensando o mesmo, afinal o show ainda ia começar só dentro de uma hora, o que estava acontecendo naquele momento era a passagem de som.

Nesse momento falei com a Babs e com o João

[Jow feliz] – Galera, seguinte! Comprei dois abadas do show!

[Babs] – OI que?

[João] – BOA! TAVA MUITO AFIM DE IR A ESTE SHOW!

[Jow] – Não João, somos três e temos dois abadas, nós vamos vender essa coisa pelo dobro do preço! Assim eu terei dinheiro pra beber e voltar de ônibus pra casa J

[Babs] – Boa Jow jow!

[João] – Hum…

[Jow] – Babs me ajuda com isso vamos voltar um pouco ali na rua e abordar as pessoas para vender isso

E assim fomos, eu segurei o João para ele não atrapalhar nenhuma negociação e deixamos a Babs que é super boa de papo agir sobre alguns dos milhares de foliões que estavam por ali.

Babs achou uma moça e me chamou,

[Babs] – Jow, ela ta querendo pagar 40 nos dois.

[Jow] – R$40 nos dois? Sem chances!

[Outra menina carioca] – Ah, alivia ai chegado (sim, ela falou igual a um mano)

[Jow para Babs] – Mas Babs, nós pagamos R$40,00 em cada um, assim ela ta quebrando as minhas pernas.

[Babs entrando no jogo] – ah, é tenso eu sei, mas a gente vai perder se não for assim, nosso ônibus sai daqui a pouco

[Jow que ônibus?] – mas mesmo assim, prefiro perder do que tomar um prejuízo tão grande. E olhando pra menina carioca, R$60,00 nos dois.

[menina carioca] – Ah, por R$30 cada eu vou ali na porta e compro.

[Ponto para a menina carioca]

[Jow] – ok, vamos fazer assim, eu quero ser feliz, você quer ser feliz. R$50,00 nos dois e temos um acordo.

[menina carioca pensando....] – Ah tá valendo. Toma.

Pronto! Paguei os R$5,00 do João e ainda por cima tinha dobrado o meu dinheiro em menos de 15 minutos :)

Na mesma hora fui comprar uma garrafa de Catuaba!

Ficamos na porta do Espaço Folia curtindo o show do “velhas virgens” de graça.

Neste momento eu estava eufórico sabendo que era possível deixar de ser pobre no carnaval oferecendo serviços (sem ameaças à integridade física ou mental)

Eis que de repente surge no meio da multidão uma mulher passeando com um Beagle. :O eu olhei pra ela do auge de toda a minha euforia e lancei um:

[Jow] – COMO ASSIM, TERÇA FEIRA DE CARNAVAL, A RUA TODA LOTADA E VOCÊ LEVA UM BEAGLE PRA PASSEAR.

[dona do beagle] – uai, o cachorro precisava passear

[Jow] – É… Além disso, eu não tenho nada a ver com isso. Me desculpe. De qualquer forma seu cachorro é muito bonito, eu posso tirar uma foto com ele?

[dona do beagle] – ….? pode

[Jow tirando foto com o beagle] – Ei! Esse cachorro não quer olhar para a câmera!!! Fica atrás dela (babs) e chama ele. Qual é o nome dele?

[Dona do beagle] – Frederico!

[Jow] – Belo nome de cachorro… HHAHHA FREDERICO!! OLHA PRA CAMERA SEU FILHO DUMA CADELA!!

[Dona do Frederico] – Frederico!! Frederico!!

Consegui tirar a foto do beag… digo Frederico e a tendência do carnaval estava só melhorando!

E eu sabia qual seria meu objetivo ali! Ganhar mais dinheiro!

E eu ganhei.

Quer saber como? Leia amanha o outro post ;)

Parte 6

26/01/2010

Crônicas de Carnaval – 2008 – Parte 4

Filed under: Crônicas de Carnaval,Viagem — Joubert Thomson @ 9:59

Parte 1

Parte 2

Parte 3

A Ida pra casa em OP.

Falei com o João, Xandy, Henrique e com o amigo deles, o acontecido.

Para minha sorte todos nós estávamos bêbados demais para entender qualquer coisa como ofensa, e então eles simplesmente se despediram e foram embora todos iam, mas ai como o Xandy estava com dois amigos dele eu falei pro João ficar que a gente arrumava um lugar lá (afinal a babs falou que cabia um, no máximo dois).

Fizemos uma farra na rua ainda, encontramos uma fantasia de um dos blocos (que até parecia essas do carnaval do rio)

Zuamos demais e lá pelas tantas decidimos ir para casa.

A babs Alertou

[Babs] – Jow jow, o povo ta cansado, dormiram a pouco tempo, e tem até gente q vai trabalhar amanha, então por favor, chegando lá não façam muito barulho ta?

[Jow] – Ok.

[João] – Humm?

Chegamos na casa, era uma casa bacaninha, perto de onde estávamos.

Era mais ou menos assim

Uma sala, com um sofá cama e vários colchões espalhados em volta.

Alem disso tinha um quarto que ficava na porta à direita de quem entrava, com duas camas e cinco colchões no chão e um outro quarto que tinha a porta de frente para quem entrava.

À direita deste quarto tinha uma escada para baixo, que eu descobri no outro dia que levava ate à cozinha, banheiro e uma área.

Chegamos pé ante pé, destrancamos a porta de forma a fazer o menor barulho possível, e finalmente entramos.

Graças a Deus, eu teria um lugar pra passar a noite (aquela merda de Ouro Preto é fria demais) eu ainda estava olhando para os colchões pra ver aonde é que eu ia deitar, e antes que pudesse perceber que não havia mais colchões sobrando, vi o João se abaixando.

[João] – Babs, como é o nome dessa menina aqui?

[Babs] – Oi que? A é a Psicilla (na verdade é Priscila, mas ela só chama assim Psilla)!

[João] – Psilla? Olá tudo bem? Acorda! Conversa comigo?

[Psilla] – O que?

[João] – Conversa comigo!

[Jow sem graça e falando baixo] – João, para velho! A menina ta dormindo! Deixa ela quieta!!!

[João] – Que isso Junnel, eu to querendo fazer novas amizades! Psilla acorda! Conversa comigo?

[Jow] – Cala boca velho! Amanha você faz amizades!

[Psilla] – Cala boca cara! Você é muito chato!

[João] – Poxa vida! Eu só tava querendo fazer amizade!!

[Jow] – PFF

[Babs] – O que vocês estão fazendo?

[João] – Eu quero fazer amizade com a Psilla, mas ela não quer conversar comigo!

[Psilla] – Vai se fuder! Eu to dormindo velho!

[Jow] – GRRRRRRRR

[Babs] – GRRRRRRRR

[Psilla] – ZZzzzZzZzzZzzzz

[Babs] – Jow, ta aqui o seu colchão

A Babs falou enquanto jogava o colchão em um pequeno vão entre o sofá e a parede.

Houston tínhamos um problema, um colchão eu e o João.

Sem pestanejar, e sem cogitar nenhuma outra possibildade te ter que explicar pro João que ele teria que dormir no chão, mandei ele deitar no colchão e deitei no vão entre a porta de entrada e um colchão que estava no chão.

Sim, afinal quem estava precisando de ajuda neste carnaval era o João, e não eu. Eu estava feliz, mas com plena consciência de todos os meus atos.

Dormi muito mal neste pequeno espaço e, além disso, tive pesadelos.

Sonhei com a minha ex-namorada estava passando um aperto e no pesadelo ela pedia ajuda pra mim.

Acordei no outro dia de manha, e sem maldade alguma digitei uma mensagem simples pra ela no celular:

“Tive um pesadelo com você, foi muito ruim, está tudo bem com você? Bjs”

Isso foi tudo.

Mas foi o suficiente para que seu namorado a fizesse ligar pra mim pagando pau.

E eu juro que não fiz nada por maldade, mas é por que o pesadelo havia sido muito ruim mesmo (talvez todo o desespero que eu estava sentindo por estar dormindo encolhido no chão tivesse sido responsável pelo pesadelo)

De qualquer forma, a minha terça de carnaval estava começando super bem não é mesmo? Afinal nada melhor do que uma noite mal dormida, com pesadelos após dispensar seus amigos, quase ser expulso da casa onde se estava hospedado por ter se importado com um amigo e tomar esporro por ter se importado com uma pessoa que fez parte da sua história, mas que já não fazia mais.

Fiquei cabisbaixo (uau, esta palavra existe no dicionário do Word) e levantei.

Babs e João, não se conheciam, mas então se juntaram afinal era carnaval e eu não podia ficar triste.

Levantamos lá pelas 10… 11… e a aventura começa agora… Alias, começa no próximo post :)

Parte 5

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